“Quero muito bem ao Brasil”. Assim o ex-governador de São Paulo, João Dória, justificou a opção por Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. O empresário divulgou seu posicionamento em vídeo no qual defende a alternância no poder e criticou Luiz Inácio Lula da Silva (PT): “Perdeu a chance de pacificar o país.”


“O Brasil não pode se tornar um território de um só partido, de uma só pessoa, de um só comando. Alternância no poder é positivo, é saudável, é democrático”, disse Doria. Ele ressaltou que seu posicionamento é pessoal e não representa o Lide (Grupo de Líderes Empresariais), organização que comanda.


“O governo Lula estimulou o confronto entre pobres e ricos, apoiou extremistas contra o povo judeu. Insuflou o Brasil do Nordeste contra o Sul”, criticou Doria, antes de completar: “Quero muito bem ao Brasil. Eu aprendi ao longo da vida política a perdoar, a compreender e olhar adiante. Por isso, neste domingo, o meu voto é Flávio Bolsonaro”.


Doria elogiou também a “humildade” do candidato do PL ao admitir equívocos do pai, Jair Bolsonaro, na gestão do combate à pandemia da COVID-19. A declaração marca uma aproximação com o campo político do ex-presidente da República, de quem Doria foi aliado na eleição de 2018. A relação, contudo, deteriorou-se durante a pandemia, quando os dois passaram a protagonizar embates públicos sobre as medidas de enfrentamento da crise sanitária.


Como governador de São Paulo, Doria defendeu quarentena, distanciamento social, uso de máscaras e vacinação, enquanto Bolsonaro criticava restrições às atividades econômicas e questionava essas medidas. As divergências administrativas ganharam dimensão política, com trocas frequentes de acusações entre o Palácio dos Bandeirantes e o Palácio do Planalto.

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O principal foco do confronto foi a CoronaVac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. Doria apresentou o imunizante como peça central da estratégia paulista e São Paulo iniciou sua aplicação em janeiro de 2021. Bolsonaro, por sua vez, chamou o produto de “vacina chinesa” e chegou a desautorizar o anúncio do Ministério da Saúde sobre a compra de doses, episódio que aprofundou o rompimento entre os antigos aliados.

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