Em manifestação publicada nas redes sociais, o ex-presidente do Novo João Amoêdo afirmou que votará em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial. Embora tenha feito duras críticas ao candidato à reeleição, Amoêdo argumentou que a alternativa representa um risco menor do que a eleição de Flávio Bolsonaro (PL).
“Flávio não tem absolutamente nada que o credencie a governar o País. Falta postura, credibilidade e competência. Foi um senador sem qualquer iniciativa produtiva na área econômica, na segurança ou na educação”, criticou. Para Amoêdo, o candidato do PL é “conhecido apenas pelo sobrenome e pelo envolvimento em inúmeros casos suspeitos: rachadinha, lavagem de dinheiro, proximidade com membros da milícia e com golpistas. Está cercado de conhecidos oportunistas e seu objetivo maior é conceder o indulto ao pai, condenado por tentativa de golpe”, afirmou.
Leia Mais
-
Lula x Flávio: o que farão Cury, Renan, Caiado e Zema no 2° turno?
-
Flávio empata com Lula no 2º turno; maioria diz que pode mudar voto
-
Por que Flávio resiste, apesar das crises? Especialista responde
Candidato a presidente em 2018, quando recebeu 2, 6 milhões de votos e ficou em quinto lugar na disputa vencida por Jair Bolsonaro, Amoêdo iniciou a declaração de voto demonstrando frustração com o cenário político e com o que classificou como incapacidade das elites da sociedade em construir uma alternativa competitiva ao petismo e ao bolsonarismo. “Fomos incapazes de construir, nos últimos anos, uma alternativa decente e competitiva que nos tirasse dessa armadilha das últimas 3 eleições presidenciais”, lamentou.
Para o administrador e engenheiro, a disputa voltou a ser definida pela rejeição, enquanto propostas, planos para o país e debate de ideias perderam espaço para ataques pessoais. “A urna, que deveria ser o momento para definirmos o futuro da nação, tornou-se, para muitos, um momento de expressão de raiva.”
Um dos fundadores do Novo também responsabilizou os dois campos pela divisão política do país. Segundo sua avaliação, o PT inaugurou a lógica do “nós contra eles”, posteriormente aprofundada pelo bolsonarismo. Como consequência, afirmou, o voto passou a servir para muitos eleitores como expressão de raiva, em vez de instrumento de escolha do futuro nacional.
Na avaliação de Amoêdo, Lula falhou durante o mandato ao não dialogar com adversários, reforçar a polarização e conduzir de forma irresponsável as contas públicas. Ele também criticou indicações ao Supremo Tribunal Federal, a composição do núcleo político do governo e o aumento de gastos com finalidade eleitoral. “Lula errou do início ao fim do mandato e, depois de todas essas ações, com baixa aprovação e com as limitações da idade, cometeu o maior erro: resolveu ser candidato pela quarta vez”, criticou.
As críticas mais contundentes foram dirigidas a Flávio Bolsonaro. Amoêdo afirmou que o senador não demonstrou iniciativas relevantes nas áreas econômica, de segurança ou de educação e questionou sua postura, credibilidade e competência. Também mencionou suspeitas e investigações associadas ao parlamentar. Essas acusações integram a manifestação de Amoêdo e não são apresentadas na declaração com respostas do citado.
Ao comparar os possíveis governos, Amoêdo disse enxergar limites institucionais maiores para Lula. Citou a perspectiva de um último mandato, a experiência administrativa do vice-presidente e uma oposição forte no Senado. Em relação a Flávio Bolsonaro, apontou a possibilidade de reeleição, um Congresso amplamente favorável e a presença de aliados nos principais estados como fatores que poderiam favorecer a continuidade da família no poder.
“Lula, se eleito, fará seu último mandato, sem nenhum sucessor definido, tem um vice-presidente com comprovada experiência na gestão pública e, apesar de ter a oportunidade de indicar membros do STF, encontrará forte oposição no Senado. Flávio, diferentemente, poderá se candidatar à reeleição, tem um vice-presidente desconhecido, terá uma Câmara e um Senado extremamente favoráveis e aliados comandando os principais estados brasileiros. São alternativas totalmente distintas para quem anseia por renovação em 2030 e teme a perpetuação de uma família no poder”, analisou.
Amoêdo lembrou que também declarou seu voto nos segundos turnos de 2018 e 2022 e afirmou que a decisão atual é ainda mais difícil. Disse, porém, que deixar de expressar sua posição por medo de ataques significaria aceitar restrições à liberdade de opinião.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Ao final, afirmou que será oposição a qualquer um dos candidatos que vencer e revelou como votará no próximo domingo. “Entre a irritação com um novo governo Lula e o risco que representa um governo Bolsonaro, fico com a primeira opção”, afirmou.
