Debates, apoios e olho nas abstenções: os planos de Flávio e Lula para o 2º turno
O candidatio do PL, que largou na frente na primeira volta de votação, já conseguiu fechar com Zema e Caiado. Lula está de olho nos votos dos eleitores que não compareceram no domingo. Ainda há dúvidas se eles irão aos debates
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Encerrado o primeiro turno, os dois finalistas da corrida pelo Palácio do Planalto começaram a passar em revista a estratégia para as próximas três semanas de campanha que têm pela frente até a derradeira decisão dos brasileiros, no dia 25 de outubro. Flávio Bolsonaro busca os nomes da direita que ficaram pelo caminho e se esmera no papel de moderado para tentar atrair o apoio de partidos de centro. Já Lula ensaia os primeiros passos de um esforço para atrair os votos dos eleitores que não compareceram às urnas neste domingo como forma de tirar a diferença de 2,2 milhões de votos que o candidato do PL teve de vantagem.
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Em sua ofensiva por novas alianças, Flávio começou bem. Menos de 24 horas após a totalização dos votos do primeiro turno, ele já garantiu apoio de pelo menos dois candidatos que aspiravam sentar-se na cadeira de presidente: Romeu Zema, do Partido Novo, que anunciou a decisão na noite desta segunda-feira, 5, e Ronaldo Caiado, do PSD, que apesar da declaração de neutralidade da sigla de que faz parte formalizará seu apoio a Flávio em um evento nesta terça, 6, em Goiânia. O presidenciável do PL recebeu também o apoio do ex-presidente Michel Temer (MDB). Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula na primeira rodada de votação.
O petista ainda mapeia possíveis apoios fora do campo da esquerda. Ao reunir em Brasília, nesta segunda, aliados que sagraram-se vitoriosos e outros que saíram das urnas derrotados, ele orientou a campanha a focar nas abstenções. A ideia é tentar fazer com que o alto contingente de eleitores — cerca de 33 milhões — que não foram votar no domingo compareçam no segundo turno. É um plano alternativo, já que ele próprio considera quase impossível virar votos de Flávio e de outros candidatos. “É responsabilidade nossa devolver o interesse para de participar do processo eleitoral. É simples assim”, orientou Lula na reunião desta segunda. “São 20 dias em que a gente vai ter que colocar pra fora aquilo que a gente deveria estar colocado o ano inteiro”, emendou.
Entre os nomes que Lula mira está o da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), que se reelegeu vencendo João Campos (PSB), que contou com o apoio formal do PT. Ele também sonha com o apoio do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), outro que se elegeu em primeiro turno, batendo o candidato do PT no estado, Patrus Ananias. Apesar de ter declarado apoio a Flávio, Cleitinho tem deixado aberta a porta para negociar com o governo, seja ele qual for. Dois pontos são considerados pelos petistas como preciosos na tentativa de aproximação. Um é a proposta do fim da jornada 6×1, que o Planalto de Lula quer votar antes do segundo turno no Senado e sobre a qual Cleitinho já se declarou a favor. Outro trunfo é a dívida de Minas com a União. O PT mineiro fará uma reunião nesta quarta-feira, 7, em Belo Horizonte, para discutir formas de tentar que o governador eleito mude de ideia e pisque também para Lula.
Debates e STF
Outro assunto que está sendo discutido internamente pelas campanhas é a participação nos debates. Flávio, em vantagem, ainda avalia se valerá a pena participar. Ele tem sido aconselhado por pessoas próximas a não comparecer aos confrontos. Aliados de Lula, por sua vez, garantem que ele quer participar de pelo menos um confronto direto com Flávio. Eles afirmam que o petista confia que, no cara a cara, pode “desnudar” o adversário.
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Lula também buscará se descolar das suspeitas que atingem ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), entre eles Alexandre de Moraes, e a a tendência é que condene publicamente a corrupção na corte. Já nesta segunda, ele classificou como “promiscuidade” os episódios envolvendo os ministros e disse que “carregou nas costas” a crise no tribunal, que teria prejudicado sua campanha. “Estamos carregando nas costas uma coisa muito grave, que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte Brasileira depois dessa denúncia”, reclamou. Flávio, por sua vez, permanecerá no ataque em relação ao tema que, ele sabe, foi um dos fatores cruciais para o seu crescimento e para a eleição de candidatos de direita na disputa pelas vagas no Senado.