Uma pesquisa realizada pelo NetLab, laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em conjunto com o International Panel on the Information Environment (IPIE), apontou indícios de que a Meta praticou tratamento desigual na cobrança de anúncios políticos no primeiro turno das eleições de 2026. Os dados indicam que a campanha de Lula (PT) pagou entre 33% e 43% a mais do que a de Flávio Bolsonaro (PL).
O levantamento, divulgado pelo jornal “O Globo”, coletou 7.677 anúncios veiculados entre 16 de agosto e 4 de outubro de 2026 pela API da Biblioteca de Anúncios da plataforma. O volume abrange 19 páginas de anunciantes ligadas a 11 candidaturas à Presidência da República.
Leia Mais
-
PT quer explorar polêmica da Meta para desgastar Flávio e PL prega ‘distância’
-
Coligação de Lula aciona ONU, PGE e PF por supostas vantagens de Flávio na Meta
Pesquisadores usaram quatro modelos estatísticos para medir a variação de preços. Três deles demonstraram diferença estatística significativa desfavorável a Lula, com custos 33%, 39% e 43% maiores por mil pessoas alcançadas. O modelo restante apontou cobrança 10% superior para o petista, sem significância estatística. Frente a outros concorrentes, a campanha de Lula pagou até 256% a mais do que a de Augusto Cury (Avante), 119% a mais em relação a Ronaldo Caiado (PSD) e 50% acima de Renan Santos (Missão).
Falta de transparência e regras eleitorais
O método replicou estudo publicado pelo pesquisador Dominik Bär sobre o pleito alemão de 2021, com regressões lineares e checagem de dois revisores independentes. A equipe técnica considerou os resultados inconclusivos devido à falta de dados brutos da Meta. A empresa não detalha gastos exatos inferiores a R$ 100, agrupando esses valores em uma faixa única de R$ 0 a R$ 99. Essa categoria corresponde a 52% de todos os anúncios analisados.
Maire Santini, diretora do NetLab, informou ao "Globo" que a pesquisa cita indícios porque a empresa não entrega informações prometidas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Meta declarou que o sistema de leilão define custos a partir das escolhas de cada anunciante, sem considerar opiniões políticas, e alegou que avaliar faixas de investimento gera conclusões erradas.
Phil Howard, presidente do IPIE e professor da Universidade de Oxford, afirmou que a plataforma cumpre plenamente apenas três de nove requisitos legais do Brasil. O artigo 27-A da Resolução 23.610/2019 do TSE determina um acervo público auditável com dados precisos de despesas e critérios de segmentação. O levantamento concluiu que a Meta oculta parâmetros sobre comportamentos e interesses, divulgando apenas idade, gênero e localização.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Santini comunicou que não existem indícios de mudanças nas regras no segundo turno, situação que exigirá novas checagens do laboratório.
