SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB) foram eleitos neste domingo (4/10) para representar Alagoas no Senado.

Com 96,37% das urnas apuradas, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o deputado federal obteve 28,95% dos votos. A mulher de João Henrique Caldas (PSDB), eleito governador alagoano, foi alçada à Casa com 28,05%.

Marina desbancou o decano do Senado, Renan Calheiros (MDB), que tentava chegar ao quinto mandato e ser o terceiro no panteão entre os mais longevos senadores da história republicana. Ele chegou a 22,41% dos votos.

Dr. Wanderley (MDB) teve 10,93%, enquanto Davi Davino Filho (Republicanos) obteve 8,78% dos votos. Também concorreram Mariedson (Democrata) e Alexandre Fleming (UP), que juntos somavam menos de 1% dos votos.

Arthur César Pereira de Lira, 57, é deputado federal há quatro mandatos e liderou a Câmara dos Deputados sob os governos Jair Bolsonaro (PL) e Lula (PT). Um dos expoentes do centrão, articulou a expansão das emendas parlamentares ao Orçamento federal e se diz municipalista, corrente que defende dar mais autonomia às cidades frente aos estados e ao governo federal.

A política veio de família. É filho de Benedito de Lira, o Biu, morto no ano passado e que já ocupou cargos de vereador maceioense a senador alagoano. Arthur Lira é formado em direito, e exerceu o primeiro cargo eletivo em 1992, como vereador da capital de Alagoas, reeleito em 1996.

Em 1998 foi alçado à Assembleia Legislativa de Alagoas, reeleito mais duas vezes. À esta altura, já tinha passado por PFL, PSDB e PTB. A primeira passagem no PP, atual legenda, foi de 2003 a 2005, antes de migrar para o PMN. Voltou ao PP em 2009, onde está até hoje, e partido pelo qual chegou à Câmara em 2010.

Foi um dos principais aliados de Eduardo Cunha, indicado pessoalmente pelo congressista para chefiar a Comissão de Constituição e Justiça da Casa. Chegou, em 2019, a ensaiar uma oposição à candidatura de Rodrigo Maia (então no DEM) à presidência da Câmara, mas não teve tração para lançar-se postulante.

Chegou à presidência em 2021, com a ajuda de Jair Bolsonaro, que sofria pressão popular diante da gestão da pandemia de Covid-19. Recebeu mais de 140 pedidos de impeachment do então presidente, mas nunca analisou nenhum deles. Foi um dos principais aliados do mandatário, chegando a colaborar com a aprovação de pacotes de bondades de Bolsonaro às vésperas da eleição de 2022.

Foi o primeiro, entretanto, a reconhecer a vitória de Lula (PT) na disputa ao Palácio do Planalto. Colaborou com o petista em temas como a reforma tributária, que ele próprio relatou, mas impôs derrotas ao petista: o governo quase não conseguiu aprovar Medida Provisória para reorganizar os ministérios na nova gestão.

Já Marina Antunes Candia e Figueiredo, 35, é natural de Cuiabá e desbancou Renan Calheiros na primeira disputa a cargo eletivo na vida. O foco da campanha foi a nova política, atacando justamente o senador mais velho da Casa e a hegemonia da família no estado.

É neta do ex-vice-governador de Mato Grosso José Monteiro de Figueiredo e passou a morar em Maceió após a eleição de JHC à prefeitura da cidade. Enfrentou críticas por ser mato-grossense e por ser inexperiente em cargos públicos.

Escolheu levar o nome do marido para a urna eletrônica para tentar surfar na popularidade dele, especialmente na capital e na região metropolitana. Já queria ser candidata, mas foi confirmada apenas no último dia para registro de chapas.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Marina apostou na política feita através das redes sociais, ganhando tração com vídeos no Instagram. Atingiu mais seguidores do que Lira e Renan - 536 mil ante 354 mil do ex-presidente da Câmara e 360 mil do ex-chefe do Senado.

compartilhe