O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) vão disputar o segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro. Com 97,36% das urnas apuradas, às 20h58, Flávio somava 55.038.846 votos (47,42% dos válidos) e Lula, 51.886.301 votos (44,7%). 

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Cadeiras vazias

Os dois líderes passaram o primeiro turno sem enfrentar os adversários na TV. No debate da Band, em 23 de agosto, Lula e Flávio não compareceram, e Zema desistiu diante da ausência dos dois. No horário do debate, Lula dava entrevista exclusiva à Record. O encontro de 14 de setembro, de um consórcio que incluía SBT, RedeTV! e CNN Brasil, foi cancelado porque Lula e Flávio não confirmaram presença. O debate da Record, marcado para o dia 27, também foi cancelado.

Na quarta-feira (30/9), a campanha de Lula comunicou oficialmente à Globo que o presidente não iria ao último debate do primeiro turno. No mesmo dia, o Flow Podcast anunciou a participação do petista. Na quinta-feira (1º/10), horas antes da transmissão, a Justiça mudou as regras do encontro. A ministra Estela Aranha, do TSE, atendeu a pedido da coligação de Lula e proibiu a manutenção do púlpito vazio reservado ao petista e impediu que os demais candidatos fizessem perguntas dirigidas a ele. No STF, a pedido do Solidariedade, o ministro Gilmar Mendes determinou a inclusão de Renan Santos (Missão). O partido dele não tem o número mínimo de deputados que garante presença obrigatória.

Cerca de duas horas antes do início, Flávio desistiu e atribuiu a decisão à "censura imposta ao evento pelo TSE". A Globo cancelou o debate e afirmou, em nota, que as decisões de última hora causavam insegurança jurídica e interferiam indevidamente na liberdade de imprensa. Não havia cancelamento assim desde 2002. Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema já estavam na sede da emissora, no Rio. Renan Santos disse que o candidato do PL recuou por "medo" dele.

Polêmicas da campanha

Flávio herdou o posto do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje preso, que o apontou como herdeiro político no ano passado. O primeiro abalo veio na pré-campanha. Em 13 de maio, o site Intercept Brasil revelou um áudio em que o senador cobrava do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, cerca de R$ 134 milhões para o filme "Dark Horse", sobre a vida de Jair Bolsonaro. Segundo a reportagem, Vorcaro repassou ao menos R$ 61 milhões em 2025. Flávio inicialmente negou a existência do áudio, mas depois confirmou ter recebido os recursos para o filme e negou irregularidade.

O episódio abriu fissuras na direita. Zema reagiu em vídeo: "Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável." Mesmo assim, afirmou que quem estivesse contra o PT contaria com seu apoio num eventual segundo turno.

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Do lado governista, o ponto sensível foi o filho mais velho do presidente. O ministro André Mendonça, do STF, autorizou inquérito da Polícia Federal para apurar se Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, cometeu tráfico de influência e corrupção. O relatório da CPMI do INSS, assinado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), apontava indícios de quatro crimes do filho de Lula. Em 5 de agosto, Flávio anunciou Gaspar como vice. A aposta da campanha era que um vice nordestino, associado às investigações sobre o INSS, ajudasse a ampliar a rejeição a Lula na região. No anúncio, o senador Rogério Marinho resumiu a escolha: "É Lulinha na veia".

 

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