O candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro, usou a transmissão ao vivo que fez na noite dessa quinta-feira (1º/10), depois do cancelamento do debate da TV Globo, para pedir que o eleitor encerre a disputa neste domingo (4/10). O apelo foi dirigido a quem pensa em não comparecer às urnas e a quem pretende votar em outros candidatos do campo da direita.

"Vamos resolver essa eleição neste domingo. Se você estava pensando em não votar, que essa eleição não é tão importante, olha a gravidade do que está acontecendo. A única chance de o Brasil voltar a ter uma democracia é com Flávio Bolsonaro presidente, e não vamos parcelar o voto em duas vezes", pediu. "Vamos votar de uma vez só, vamos dar um voto inteligente neste domingo. Com todo respeito aos outros concorrentes na disputa presidencial, somente Flávio Bolsonaro tem condições de vencer o Lula já no primeiro turno."

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Flávio desistiu de participar do debate cerca de duas horas antes do início. A emissora cancelou o encontro a menos de uma hora do horário marcado, depois de uma decisão da Justiça Eleitoral favorável ao presidente Lula (PT), que já havia avisado que não compareceria. A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proibiu a manutenção do púlpito vazio reservado ao petista e impediu que os demais candidatos fizessem perguntas dirigidas a ele. Na liminar, a ministra argumentou que a participação em debates é facultativa por lei e que a regra poderia desequilibrar a disputa, funcionando como pressão indireta para que o candidato comparecesse.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), também determinou a inclusão de Renan Santos (Missão), embora o partido dele não tenha o número mínimo de deputados que garante presença obrigatória. Ao anunciar o cancelamento, a Globo alegou que as sucessivas decisões judiciais, tomadas pouco antes do programa, geravam insegurança jurídica e interferiam na liberdade das emissoras de organizar os debates.

Na live, Flávio voltou a atacar o Judiciário. O candidato acusou Lula de faltar ao debate e, ao mesmo tempo, recorrer a aliados no Judiciário para impor censura ao programa, e pediu aos eleitores um "voto de revolta", em um movimento que busca atrair votos que iriam para adversários como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).

Participaram da transmissão aliados como o deputado federal mineiro Nikolas Ferreira (PL-MG), Carlos Bolsonaro (PL-SC), Gustavo Gayer (PL-GO) e Pablo Marçal, que pediram união em torno da candidatura e criticaram a Justiça. Nikolas avaliou que a decisão do TSE acabaria favorecendo o bolsonarista: "Acabaram de eleger Flávio", disse. Marçal, por sua vez, defendeu o voto útil no primeiro turno e fez apelos diretos a concorrentes da direita, sugerindo a Caiado um posto de ministro da Segurança Pública e pedindo a Zema que se juntasse à campanha.

A desistência de Flávio também rendeu críticas. Renan Santos afirmou que o candidato do PL recuou por "medo" dele. Caiado, que estava no estúdio da Globo quando o debate foi cancelado, acusou a Justiça de destruir o processo eleitoral.

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O primeiro turno das eleições será realizado neste domingo (4/10).

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