O empresário Gabriel Kanner, sobrinho do dono da Riachuelo, Flávio Rocha, levou um tapa de um segurança ao questionar o bloqueio de uma rua próxima ao local onde ocorria a cerimônia de casamento de Alexandre Barci de Moraes, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Em um vídeo publicado por ele, é possível ver um homem responsável pela segurança derrubando o celular que Kanner utilizava para filmar a rua interditada nesse sábado (26/9). O filho do ministro se casou na Casa Fasano, no Bairro Cidade Jardim, na Zona Sul de São Paulo.
Leia Mais
Ele afirmou que voltava do trabalho quando encontrou o bloqueio e foi orientado a retornar por policiais e seguranças no local. Segundo o empresário, ele desceu do veículo para registrar a situação e começou a filmar a interdição.
As imagens mostram o momento em que o segurança se aproxima e derruba o aparelho celular do empresário. O vídeo no perfil de Gabriel já ultrapassa 17 milhões de visualizações.
“Diversos policiais e seguranças me mandaram voltar, mas eu teria que dar uma volta enorme pra chegar em casa. Aí que fui entender – fecharam a rua para os cidadãos comuns por causa do casamento do filho do Alexandre de Moraes. Então eu desci, comecei a filmar a situação e o segurança veio me agredir”, escreveu o empresário na legenda que acompanha o vídeo.
A reportagem do Estado de Minas entrou em contato com a assessoria do STF e aguarda retorno.
Quem esteve no casamento
Entre os convidados, estavam os ministros do STF Gilmar Mendes e Flávio Dino e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Também participaram o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luís Felipe Salomão, e o ministro Benedito Gonçalves, corregedor Nacional de Justiça.
O ex-presidente Michel Temer, que indicou Moraes para o STF, e o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) também compareceram à cerimônia. Pacheco foi recentemente nomeado para o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).
Alexandre Barci de Moraes se casou com Thaís. O sobrenome da noiva não foi divulgado. A cerimônia foi celebrada pelo escritor e ex-deputado Gabriel Chalita, amigo de Alexandre de Moraes e da família.
Operação
A operação, comandada pela Polícia Judicial, envolveu a Polícia Militar, a Guarda Civil Metropolitana e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Também participaram agentes da Romu (Ronda Ostensiva Municipal) e da Rocam (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas). Agentes restringiram o trânsito e o acesso de pedestres a 200 metros do local.
Uma passarela e um trecho do Parque Linear Bruno Covas foram interditados, afetando a circulação de ciclistas na região. O uso de drones também foi proibido na área, com um sistema capaz de interromper o sinal dos equipamentos.
Crise no STF
A medida de segurança ocorreu diante do receio de manifestações relacionadas à crise envolvendo Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. Apesar da preocupação, não houve registro de protestos organizados nas proximidades do espaço.
Há relatos de que motoristas que passaram pela região fizeram buzinaços e proferiram xingamentos em direção ao local.
As mensagens também mostram que o Banco Master emitiu cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos do ministro, a pedido do escritório de advocacia da família. Segundo os documentos, Moraes editou uma minuta de contrato de R$ 131 milhões entre o banco e o escritório da esposa, Viviane Barci de Moraes.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
O relatório também registra um segundo contrato, no valor de R$ 50 milhões, relacionado ao escritório e pago por meio da transferência de cotas de duas aeronaves de Vorcaro. As informações constam de documentos e mensagens analisados pela PF e não representam, por si só, uma conclusão judicial sobre irregularidades.
