A campanha do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, à Presidência da República já recebeu R$ 4 milhões de dinheiro público oriundos de fundos do partido do candidato, o Novo.
Conforme a prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a candidatura recebeu R$ 500 mil do fundo especial, que é repassado aos partidos exclusivamente para bancar campanhas, e R$ 3,5 milhões do fundo partidário, dinheiro recebido mensalmente pelas legendas que pode ser usado de diferentes maneiras.
Zema era contra o uso de dinheiro público em campanha e não aproveitou os fundos nas outras eleições que disputou, em 2018 e 2022, concorrendo pelo governo de Minas.
"Quero mostrar que sou um candidato que não tem o rabo preso. Eu acho um absurdo o Brasil gastar R$ 6, R$ 7 bilhões por ano com o fundo partidário e o fundo eleitoral", declarou o ex-governador, em março deste ano. Ele criticava os fundos por promoverem a "perpetuação de candidatos já eleitos", já que a maior parte do dinheiro é dividido conforme o número de parlamentares de cada partido no Congresso Nacional.
Mudança de posição
Neste ano, o mineiro mudou de posição. Em agosto, ao Estado de Minas, disse que o valor é de recursos anteriores que não foram usados pelo partido. "O Novo tentou devolver esse e outros recursos diretamente à União, para que o dinheiro pudesse ser investido em saúde e educação, por exemplo. Mas, conforme determina a lei, o valor retornaria ao fundo partidário e acabaria engordando o orçamento de outros partidos, o que não é justo."
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Zema também disse ser a favor da redução dos fundos. "Só o PL e o PT recebem quase 30% do R$ 1,3 bilhão do fundo partidário. Essa distorção imposta pela lei atual torna injusta a disputa contra os partidões que estão comprando sua eternização no poder e impedem a renovação do legislativo."
Dinheiro público em campanha
Por outro lado, as cifras da campanha do Novo são pequenas se comparadas às de outros candidatos. Flávio Bolsonaro, por exemplo, recebeu R$ 42 milhões apenas do fundo eleitoral do PL. Já Lula ganhou R$ 40 milhões do fundo eleitoral do PT.
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O valor recebido por Zema é menor até do que algumas campanhas para o governo de Minas. Alexandre Kalil ganhou R$ 14 milhões do PDT; Patrus Ananias, R$ 10,3 milhões; e Mateus Simões, R$ 4,5 milhões do PSD.
