O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo na Câmara, protocolou uma notícia de fato no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a investigação sobre uma suspeita de que a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência possa ter recebido dinheiro estrangeiro de aliados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Na semana passada, Renan Santos, candidato do Missão à Presidência da República, acusou Flávio de receber dinheiro da Rockbridge Network, rede de financiadores ligados a Trump, conforme noticiou o site “Amado Mundo”. A entidade foi fundada pelo vice-presidente americano, J.D. Vance, e pelo empresário Chris Buskirk, sócio de Donald Trump Jr., filho mais velho do presidente.
Lindbergh, então, sugeriu que o STF cobre, por meio da Justiça Eleitoral, a prestação de contas detalhada do financiamento da campanha de Flávio e do Partido Liberal. Também recomenda oitivas com Renan Santos e Arthur do Val, ex-deputado estadual que também fez acusações sobre o tema.
O petista quer que a Procuradoria-Geral da República (PGR) abra um inquérito para apurar o possível financiamento estrangeiro. No sentido contrário, se os repasses não forem identificados, cobra responsabilização de Renan por ter feito a acusação em meio ao período eleitoral.
Partidos e candidatos não podem receber qualquer doação de entidades ou governos estrangeiros, direta ou indiretamente, conforme o artigo 24 da lei 9.504/1997.
Dinheiro trumpista na campanha de Flávio?
Renan Santos afirmou em um discurso que a Rockbridge “entrou na campanha” de Flávio. No mesmo dia, Arthur do Val publicou no X sobre uma suposta “grana gringa pra campanha aqui do Brasil”, sem citar diretamente o candidato do PL.
As publicações do grupo de Renan Santos miram o empresário Tallis Gomes, fundador da G4 Educação, como o responsável por trazer a Rockbridge ao Brasil. Gomes, que é membro da rede americana, participou de um painel com Chris Buskirk em um evento em Nova York, em junho.
Segundo Renan Santos, Gomes e um homem chamado Pedro Sang representam a Rockbridge no país e ofereceram apoio a diversas candidaturas, fechando com a de Flávio. Arthur do Val também mencionou Sang em postagens, provocando Gomes a explicar quem ele é.
“Fui descobrir que esse cara [Tallis Gomes] foi para os Estados Unidos conhecer uma empresa, uma fundação, chamada Rockbridge, que ajudou J.D. Vance, vice-presidente dos Estados Unidos, a virar vice. São caras que põem dinheiro em eleição. Virou representante deles, junto com um rapaz chamado Pedro Sang. Esses caras vieram para o Brasil e saíram oferecendo apoio a várias candidaturas: Flávio, antes tentaram o Tarcísio, e fecharam com o Flávio. Esses caras trabalham com muitas coisas, entre elas terras raras. Eles entraram na campanha do Flávio, naturalmente e ilegalmente”, disse Renan Santos.
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Tallis Gomes negou qualquer atuação para levantar fundos para a campanha de Flávio Bolsonaro. Ele afirmou que dialoga com diferentes campanhas, como as de Ronaldo Caiado e Romeu Zema, mas sem adesão formal. O empresário classificou a acusação como uma “cortina de fumaça” e disse que irá processar Renan Santos e Arthur do Val.
Pedro Sang, amigo de Gomes, confirmou o contato com a Rockbridge, mas negou ter intermediado aportes financeiros para campanhas. Ele se define como proprietário de uma operadora de turismo e atribuiu as citações a seu nome a uma briga entre Renan e Tallis.
Sang informou que sua aproximação com a Rockbridge ocorreu por meio de André Marinho, candidato do Novo ao governo do Rio de Janeiro. Marinho é filho de Paulo Marinho, suplente de Flávio Bolsonaro no Senado.
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André Marinho confirmou ter conhecido Chris Buskirk e viajado a Dallas a convite do grupo para analisar uma possível instalação da Rockbridge no Brasil. Ele negou ter conhecimento de investimentos americanos na campanha de Flávio e disse que se afastou das conversas em maio, quando decidiu focar em sua própria candidatura.
