Depois do episódio de agressão revelado ontem (4/9) pela deputada federal Duda Salabert (Psol-MG) e por seu assessor, Felipe Gomes, parlamentares se manifestaram nas redes sociais em solidariedade aos dois e cobraram uma investigação rigorosa sobre o caso.
A maioria das mensagens de apoio partiu de integrantes do atual partido da parlamentar e do Partido dos Trabalhadores (PT). A principal exceção foi Indira Xavier (UP), candidata ao Governo de Minas Gerais, que denunciou o caso como uma perseguição atribuindo a mineração predatória no estado e criticou, inclusive, as gestões de Mateus Simões (PSD) e Romeu Zema (Novo).
“Isso acontece exatamente porque, durante o governo Zema e Simões, as mineradoras praticaram uma verdadeira farra no nosso estado. A exemplo da Operação Rejeito; do envolvimento de órgãos ambientais com a mineração; da não punição da Vale em Brumadinho. E nesse cenário, em que, todos os dias, a mineração comete crimes no nosso estado, eles se sentem no direito de milícias e capangas armados para atentar contra a vida daqueles que denunciam os crimes cometidos pela mineração ilegal e predatória no nosso estado”, disse em vídeo.
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Também se manifestaram os (as) deputados(as) Célia Xakriabá (PSOL), Rogério Correia (PT), Andréia de Jesus (PT) e Ana Elisa (PT), que destacaram a atuação de Duda à frente de denúncias de irregularidades e na exposição de atividades de mineradoras. “Toda minha solidariedade à Duda, à sua equipe e a todas as pessoas que atuam na defesa do meio ambiente e do patrimônio público. [...] A violência não pode nos intimidar”, escreveu Ana Elisa no X.
Patrus Ananias, candidato ao Governo de Minas Gerais, também se solidarizou e classificou o episódio como inadmissível. “A violência contra quem fiscaliza e denuncia a extração ilegal de minério é inadmissível. Espero que a apuração seja rigorosa e rápida.” Ele e Indira são, até o momento, os únicos postulantes ao Palácio Tiradentes que se manifestaram sobre o episódio.
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Iza Lourença, presidente estadual do Psol, participou da coletiva de Duda e Felipe e abriu espaço em suas redes sociais para que a deputada relatasse o ocorrido. Também publicou uma nota de repúdio, na qual pediu investigação do caso. “Duda sofreu escoriações, teve seu ombro deslocado e Felipe foi espancado. Ambos se recuperam bem. O Psol Minas Gerais exige que as autoridades competentes e a Polícia Militar conduzam uma investigação rigorosa e transparente, capaz de esclarecer as circunstâncias do ataque e responsabilizar os autores.”
Relembre passo a passo
- Candidata à reeleição à Câmara dos Deputados, Duda contou, em coletiva de imprensa, que foi acionada pelo engenheiro ambiental Felipe Gomes, com quem trabalha.
- Gomes havia visto uma extração de minério feita com uma retroescavadeira em uma área às margens da MGC-356, atrás do BH Shopping, por volta das 23h40.
- O local pertence à União, não tem concessão a nenhuma mineradora e, segundo a parlamentar, tem um histórico de anos de extração ilegal.
- A parlamentar, que há anos denuncia a extração ilegal de minério, foi ao encontro de Felipe, e os dois subiram até a área de carro, passando por um portão aberto.
- Eles estacionaram, seguiram a pé por cerca de 80 metros e foram abordados por dois homens que diziam: “Nós te pegamos!”. “Eles estavam me tratando como se eu fosse a criminosa, e eles, a Justiça”, contou Duda.
- A deputada relatou que caiu e recebeu socos e chutes, assim como Felipe. Segundo ela, sua primeira reação foi entregar o telefone celular, imaginando se tratar de um roubo, mas se surpreendeu com a resposta de um dos agressores: “Não, vamos resolver isso lá dentro”.
- Apesar disso, os homens tiraram os aparelhos das mãos dos dois e continuaram a espancá-los. Um terceiro indivíduo chegou ao local com uma das mãos dentro da blusa. Duda relatou ter “plena convicção de que iria morrer”.
- Naquele momento, Duda e Felipe se separaram, e ela desceu correndo em direção ao barranco da MGC-356, de onde pulou para pedir ajuda.
- A parlamentar sofreu uma queda, que provocou o deslocamento do braço, mas conseguiu ajuda de um motorista que passava pela via. “Foi esse carro que salvou nossa vida”, contou.
