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Willer Tomaz alega vício para reaver prejuízo em bet; PF investiga lavagem de dinheiro

Advogado amigo de Flávio Bolsonaro movimentava cerca de R$ 10 bilhões na Blaze antes de alegar compulsão por jogos em ação contra a plataforma

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O advogado Willer Tomaz acionou a Justiça para reaver R$ 163 milhões que perdeu para a casa de apostas Blaze, segundo o colunista do "Metrópoles" Demétrio Vecchioli. Tomaz alega ser viciado em jogos e acusa a empresa de burlar regras para lucrar com sua suposta compulsão. Só em 2025, o advogado amigo de Flávio Bolsonaro apostou quase R$ 5 bilhões em jogos on-line.

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Em um ano, o valor perdido por Tomaz equivale à metade do lucro que a Blaze declarou ter enviado para a Ilha de Man, um paraíso fiscal. A ação foi movida na 44ª Vara Cível de São Paulo, três dias antes de o advogado se tornar alvo de uma operação da Polícia Federal que o apontou como um "verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico" de investigados pela "Máfia do INSS" (Instituto Nacional de Seguro Social).

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A relação entre Tomaz e a Blaze era próxima. Ele chegou ao nível 171 do programa de fidelidade da empresa e contava com um funcionário holandês dedicado a atendê-lo por WhatsApp. Conversas anexadas ao processo mostram o advogado irritado com a necessidade de fazer reconhecimento facial para saques de R$ 100 mil, uma exigência da regulação federal.

Em janeiro de 2025, ele reclamou: "Isso dificulta muito, amigo." Após protestar, o funcionário da Blaze ofereceu uma solução proibida pela legislação: "Você não vai mais ser amolado com o reconhecimento facial."

Atendimento VIP e apostas altas

Tomaz usava seu volume de apostas para exigir tratamento diferenciado. "Duvido que exista alguém no mundo que tenha te dado mais lucro do que eu. Acho que nem mesmo meu amigo Njr", escreveu, em provável referência ao jogador Neymar Jr.

Ele chegou a pedir uma linha de crédito similar à que possuía em cassinos de Las Vegas após ser questionado por bancos e autoridades reguladoras a respeito dos valores elevados das apostas. Em 29 de julho, por exemplo, ele jogou por duas horas, entre as 2h e as 4h, e fez 11 depósitos de R$ 100 mil cada, perdendo todo o valor em giros de roleta com apostas acima de R$ 50 mil.

A prática continuou em 2026. Em um dia, ele depositou R$ 500 mil e, horas depois, lucrou R$ 1 milhão. Mais tarde, no mesmo dia, recebeu um bônus de R$ 325 mil, proibido por lei, e perdeu tudo em cinco minutos. As apostas ocorreram durante um voo de volta dos EUA ao Brasil, no qual deu carona ao senador Flávio Bolsonaro (PL).

Da reclamação ao processo

Um relatório da própria Blaze mostrou que, em 2025, Tomaz movimentou R$ 10 bilhões na plataforma, com um resultado líquido negativo de R$ 163 milhões. Quatro dias após receber os números, ele preparou um processo e tentou um acordo, oferecendo que a Blaze devolvesse 70% de suas perdas.

A ação judicial, protocolada em agosto, apresentou um novo elemento: um laudo psiquiátrico assinado em julho que atesta a ludopatia de Tomaz e menciona que ele estava "iniciando tratamento". O advogado no processo, Eugênio Aragão, sócio de Tomaz, argumenta que o padrão de apostas configura "jogo patológico em grau extremo".

Para comprovar que tentou parar, a defesa anexou prints de conversas sem data com o chat da Blaze, onde um usuário pede o bloqueio da conta. Willer Tomaz é beneficiário final da RioPag, empresa com exclusividade para intermediar pagamentos de apostas licenciadas no Rio de Janeiro. Seu escritório também patrocina uma associação de casas de apostas.

Atualmente, a Polícia Federal investiga se as apostas foram utilizadas para lavagem de dinheiro. Em nota à imprensa, a defesa de Tomaz negou que haja qualquer indício de dissimulação nas transações feitas.

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*Estagiária sob supervisão da subeditora Regina Werneck

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