Igreja Católica mobiliza debate e fiéis a dias da eleição
A polêmica recente envolvendo a Padroeira do Brasil foi apenas um dos casos abarcando católicos e a corrida eleitoral
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Um recente episódio de fake news relacionado a Igreja Católica surgiu no campo das eleições: o senador e candidato Flávio Bolsonaro foi associado a um suposto plano para remover de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
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O candidato desmentiu e afirmou que respeita todas as fiéis. Mas a notícia ampliou a onda de declarações entre os líderes católicos sobre a corrida eleitoral.
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A polêmica acontece frente a um momento de ampliação dos setores da Igreja Católica brasileira em manifestações sobre a participação política, democracia, pobreza e soberania nacional.
Nos últimos dias, dioceses e bispos divulgaram orientações aos fiéis sobre critérios para o voto, defendendo temas como defesa dos mais pobres, justiça social, proteção ambiental e compromisso com o bem comum.
Uma cartilha distribuída pela Diocese de São João da Boa Vista (SP) apresentou princípios cristãos para a escolha de representantes, sem citar quaisquer candidatos ou partidos. No entanto, o documento gerou reação de apoiadores do campo bolsonarista, que interpretaram a iniciativa como uma orientação política favorável à esquerda.
Também ganhou repercussão a fala do arcebispo emérito de Aparecida, Dom Orlando Brandes, durante uma celebração na Basílica Nacional. Sem declarar apoio a candidato ou partido, o religioso defendeu que os brasileiros escolham seus representantes pensando no bem comum e afirmou que nenhum poder estrangeiro deve interferir nos rumos do país.
Ao longo desta semana, os bispos católicos do país, por meio da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e de coletivos regionais, divulgaram vídeos de apelo público ao voto consciente na defesa da democracia e da soberania nacional e no combate à manipulação religiosa.
Em café com jornalistas na CNBB nesta quarta-feira (23/9), o presidente da entidade, Dom Jaime Spengler, reforçou que a Igreja Católica não se manifesta sobre questões político-partidárias nem preferência por qualquer candidato.
No café, sem citar nomes, ele criticou a mistura de religião e política e ressaltou que, quando isso aconteceu na história “o resultado não foi positivo”; ele e os outros bispos presentes mostraram preocupação com o uso indevido das igrejas como palanque eleitoral.
“Nós, como igreja, não fazemos opção por partidos ou por uma política partidária. Nós fazemos parte, sim, da sociedade e, como cidadãos que somos, participamos, mas a igreja como instituição não tem esse tipo de envolvimento”, ressaltou. “Ao longo da história, quando política e religião tiveram muito envolvidas, o resultado não foi positivo. Então, esse uso da religião ou de igrejas para a autopromoção de candidatos ou ideologias não é salutar”, pontua o arcebispo.
O vice-presidente da entidade, Dom João Justino, também se manifestou, e disse que considera “grave” que candidatos se apresentem como “escolhidos de Deus” e, busca dos votos religiosos.
No começo deste mês, no dia 2 de setembro, o arcebispo de Brasília, Dom Paulo Cezar Costa, juntamente a outros cardeais brasileiros participaram do programa especial Igreja e Política - Diálogo dos Cardeais do Brasil, transmitido ao vivo pela emissora Rede Vida.
No encontro, os cardeais refletiram sobre os desafios das eleições, falaram sobre a cidadania, soberania e consciência de voto. Inspirados pela encíclica Laudato Si' do Papa Francisco, os bispos também destacaram a importância de eleger representantes comprometidos com a ecologia integral, a preservação ambiental e a proteção dos povos indígenas.
Na ocasião, o arcebispo apontou que a polarização política se torna nociva quando transforma divergências ideológicas em inimizade pessoal. A recomendação do grupo foi de que os fiéis busquem o diálogo e a união, visando o bem comum.
Dom Paulo também se manifestou incisivamente sobre a conjuntura ética do país, sublinhando que quaisquer atos ilícitos devem ser investigados com rigor jurídico. O cardeal destacou que a corrupção compromete diretamente o bem comum e o funcionamento das instituições da República, afirmando que "se alguém verdadeiramente cometeu ilícito, se alguém se envolveu com corrupção, é preciso sofrer as consequências da lei".
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Além do arcebispo, o evento contou com a participação de importantes lideranças da Igreja Católica no Brasil, como Dom Odilo Scherer, Dom Orani Tempesta, Dom Jaime Spengler (presidente da CNBB), Dom Sergio da Rocha, Dom Leonardo Steiner, Dom Raimundo Damasceno Assis e Dom João Braz de Avis.