ELEIÇÕES 2026

A corrida por votos nos últimos dias de campanha em Minas

Debates na TV, encontros com empresários e caravanas por municípios do interior de Minas marcam últimas semanas de candidatos ao governo estadual

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Faltam menos de duas semanas para a eleição, e os candidatos ao governo de Minas Gerais traçam as estratégias finais para melhor se posicionarem até o momento de ir às urnas. O cenário permanece de grande desinteresse pelo pleito, com uma campanha marcada pelo desconhecimento dos eleitores quanto aos candidatos e as propostas em discussão.

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O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) é quem tem a situação mais tranquila, com ampla liderança em todas as pesquisas de intenção de voto. A campanha trabalha até com a possibilidade de arrematar a eleição em primeiro turno. Os demais postulantes ao Palácio Tiradentes apostam em um crescimento nesta reta final, considerando outro dado fundamental das pesquisas. Conforme levantamento do Datafolha, 53% dos eleitores mineiros ainda se dizem indecisos na pesquisa espontânea, o que abre margem para acreditar em um “sprint” nos dias decisivos.

O exemplo do ex-governador Romeu Zema (Novo) permanece vivo. Faltando 9 dias para eleição de 2018, ele aparecia com 9% das intenções de voto segundo o Datafolha. Com as urnas abertas, Zema liderou o pleito com 42,73% dos votos, seguido de Antonio Anastasia (então no PSDB), que teve 28,20%. É verdade que o então desconhecido candidato do Novo já demonstrava algum crescimento nas pesquisas desde agosto, mas disparou de fato nos dias finais. A reportagem ouviu, sob reserva, um dos candidatos a vice-governador desta eleição citar o episódio e afirmar que, “se houvesse mais 12 horas de campanha, Zema teria ganhado em primeiro turno”.

Outro capítulo que frequentemente aparece como inspiração é o do ex-prefeito de Belo Horizonte Fuad Noman (PSD) na eleição municipal de 2024. O apresentador e deputado estadual Mauro Tramonte (Republicanos) começou a campanha com boa vantagem nas pesquisas de intenção de voto, mas desidratou ao longo do período eleitoral e viu o pessedista crescer, conquistando uma vaga no segundo turno, em que bateu o deputado estadual Bruno Engler (PL) e se reelegeu.

Quem deixa clara a inspiração no episódio de Fuad é o governador Mateus Simões (PSD), que tem trajetória parecida. Tal qual o ex-prefeito, ele assumiu o Executivo em março do ano eleitoral e luta para se tornar conhecido como o antecessor. A diferença, entretanto, está no outro lado: enquanto Fuad tinha um adversário com muito “recall”, mas trajetória política tímida, Simões tem pela frente um senador com quatro anos de mandato, reconhecido como uma das maiores vozes da política mineira dentro e fora das redes sociais. Entende-se, portanto, que os votos em Cleitinho já estão mais consolidados, e o caminho passa principalmente por convencer os indecisos.

No início do ano, o governador partiu de uma estratégia de associação ao nome de Zema, que tem um histórico eleitoral invejável: disputou apenas duas eleições e venceu ambas; a segunda, inclusive, em primeiro turno. Porém, a campanha mudou a rota, e o ex-governador acabou por pouco integrar a estratégia eleitoral de Simões. Ontem, Zema esteve em Belo Horizonte, mas Mateus, que não teve agenda, não apareceu.

O candidato do Novo à Presidência negou qualquer tipo de desavença, mas reconheceu o distanciamento: “Eu tenho percorrido o Brasil, Mateus mais focado em Minas. E mesmo o meu vice, que é o senador [Eduardo] Girão, tem ido em agendas distintas até para nós termos uma presença maior. Cada um fazendo o seu trabalho em um local diferente”.

Estreia em debate

Hoje, mais um debate coloca frente a frente os candidatos ao governo. A partir das 13h25, a TV Record Minas transmite o encontro. Cleitinho, outra vez, não irá comparecer. Mas há uma novidade: pela primeira vez, Patrus Ananias vai participar de um debate nesta eleição, conforme ele confidenciou ao Estado de Minas. Simões também incluiu o debate de hoje em sua agenda de campanha, assim como sabatina e encontro com empresários.

Gabriel Azevedo (MDB) começa a semana se reunindo com diferentes organizações empresariais em BH, e também participará do debate. Na sequência, viaja pelo interior de Minas, passando pelas regiões Noroeste (Formoso, Paracatu, Unaí e Uruana de Minas), Alto Paranaíba (Patos de Minas), Centro-Oeste (Bom Despacho), Central (Ouro Preto), Vale do Jequitinhonha (Diamantina e Serro) e Teófilo Otoni (Vale do Mucuri). Mateus Simões também confirmou presença no debate, mas não antecipou a agenda.

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Já Flávio Roscoe (PL) está em recuperação após diagnóstico de pneumonia severa e bronquiolite. Ele declarou intenção de participar do debate, mas a presença ainda é dúvida devido ao quadro de saúde. A assessoria de Alexandre Kalil não confirmou, até o fechamento desta edição, se ele estará presente.

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