Escândalo no Banco Central: Como servidores viraram 'assessoria' de Vorcaro e do Banco Master
Relatórios da PF revelam que dupla do Banco Central orientava Daniel Vorcaro em troca de pagamentos; mensagens mostram revisão de documentos sigilosos
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Relatórios da Polícia Federal (PF), tornados públicos nesta sexta-feira (11/9), apontam que os servidores afastados do Banco Central (BC), Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, atuaram como consultores informais de Daniel Vorcaro, do Banco Master. As informações são do g1.
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Ambos ofereceram orientações detalhadas, revisaram documentos sensíveis e intervieram em temas de supervisão bancária a favor do banco, recebendo pagamentos por isso. A decisão de liberar os documentos atendeu a um pedido feito horas antes pelo presidente do Supremo, Edson Fachin.
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A atuação de Paulo Sérgio ganhou novos contornos após sua promoção a chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), responsável por monitorar o capital e a liquidez dos bancos. Segundo a PF, a partir daí, o servidor passou a prestar uma "verdadeira assessoria paralela".
Em uma mensagem de 21 de dezembro de 2023, Paulo Sérgio sugeriu a Vorcaro pontos a serem abordados em reuniões com o "Presi". A PF infere que se tratava do então presidente do BC, Roberto Campos Neto. A orientação era focar na estratégia de como o Banco WILL agregaria valor ao Credcesta.
O Banco Master, em parceria com a Reag Investimentos, adquiriu o Banco WILL em fevereiro de 2024. O BC havia decretado a liquidação extrajudicial do Will Bank em 21 de janeiro de 2026. A PF afirma que "tal fato indica que as orientações, seguidas ou não, culminaram na efetiva aquisição do referido banco".
A pedido de Vorcaro, Paulo Sérgio também tentou alterar normas na Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc). Em abril de 2025, o servidor revisou e sugeriu alterações em uma minuta de ofício que o Banco Master enviaria ao Desup, seu local de trabalho no BC.
Grupo de mensagens
Belline Santana, ex-chefe de departamento na área de supervisão bancária, criou um grupo de mensagens em outubro de 2025 com Daniel Vorcaro e Paulo Sérgio. A PF avalia que o contexto era a prestação de uma consultoria informal.
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A primeira mensagem de Belline dizia que o grupo visava "facilitar nossa interlocução". Em seguida, ele elogiou um documento, mas expressou dúvida sobre o uso de um termo específico.
A relação entre Vorcaro e Belline é anterior. Em novembro de 2023, Belline contatou o banqueiro sobre a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em abril de 2024, marcou uma reunião entre eles e Paulo Sérgio sobre "visão prospectiva e estratégica", um tema, segundo a PF, sem relação com seu cargo no BC.
Pagamentos para Belline
Mensagens indicam pagamentos a Belline. Em dezembro de 2023, Fabiano Zettel mencionou a Vorcaro o dia de pagar o servidor. O banqueiro questionou se o dinheiro saía do banco, e Zettel respondeu que obviamente não.
Em janeiro de 2024, Zettel listou o pagamento a Belline como pendente e depois confirmou que o realizaria. Em outubro do mesmo ano, outra mensagem esclareceu que parte de um dinheiro enviado a Leonardo Palhares, no valor de R$ 760.000,00, era destinada a Belline.
A PF também aponta pagamentos durante uma viagem de Vorcaro à França. Em uma conversa, Zettel avisa que precisa pagar Belline. A troca de mensagens revela a estrutura usada: "Sai pra Super. Super manda empresa Léo. Empresa Léo que tem contato com ele."
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As mensagens continuaram em 2025, com Zettel escrevendo em julho: "Bellini cobrando. Paga?". Vorcaro respondeu: "Claro".