Vorcaro: doações a Bolsonaro e Tarcísio foram propina negociada com Kassab
Outros R$ 10 milhões em espécie foram encaminhados para bancar campanhas do PSD, segundo o banqueiro
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O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, disse na proposta de delação premiada que as doações milionárias para as campanhas de Jair Bolsonaro (PL), a presidente, e Tarcísio de Freitas (Republicanos), a governador de São Paulo, foram propina negociada com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, que hoje concorre a vice-presidente na chapa de Ronaldo Caiado (PSD). A informação foi revelada pelo “Uol”.
Cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel doou R$ 3 milhões para Bolsonaro e R$ 2 milhões a Tarcísio. Pastor e empresário, ele, assim como Vorcaro, está preso no âmbito da operação Compliance Zero. O ex-dono do Master também relatou “doações informais” de cerca de R$ 10 milhões em espécie para bancar campanhas do PSD.
Na delação, Vorcaro disse que as doações foram "contrapartidas financeiras" após um "ajuste indevido com Gilberto Kassab para a manutenção do Credcesta no governo Tarcísio". Uma das principais fontes de receita do Master, o Credcesta é um cartão de crédito consignado para servidores públicos que surgiu na Bahia, ligado a Augusto Lima, sócio de Vorcaro.
"Com a eleição de 2022 em São Paulo e a ascensão de Tarcísio de Freitas como provável vencedor, Augusto Lima, responsável pelas articulações de expansão do Credcesta, buscou garantir a continuidade do negócio junto ao Governo do Estado de São Paulo", diz um trecho da delação revelado pelo Uol. O crédito consignado em cartões a servidores públicos em São Paulo havia começado em março de 2022, no governo de João Dória (então no PSDB, hoje sem partido).
Segundo o banqueiro, Augusto Lima se aproximou de Kassab, que articulava a campanha de Tarcísio e depois virou secretário de Governo paulista. Ao negociar com o pessedista, o empresário teria combinado as contrapartidas, que depois teriam sido informadas a Vorcaro.
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"O pagamento relacionado à doação eleitoral seria inicialmente realizado integralmente em dinheiro. Todavia, Gilberto Kassab ou seus interlocutores informaram a Augusto Lima que precisaria cumprir um compromisso com partidos políticos parceiros e angariar recursos, mas, que, neste caso, os partidos parceiros somente aceitariam doações oficiais", explicou Vorcaro na delação. Conforme o texto, Kassab receberia 5% da receita líquida do Credcesta em São Paulo, além de doações para campanhas do PSD e partidos aliados.
Kassab reagiu dizendo que o relato é “absolutamente fantasioso”. Disse nunca ter falado com Vorcaro e reconheceu que conhece Augusto Lima, mas negou ter tratado com ele do Credcesta ou negociado doações.
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Em nota, Tarcísio disse “não possuir qualquer vínculo ou relação” com Vorcaro. “"A campanha de Tarcísio de Freitas de 2022 contou com mais de 600 doadores e foi conduzida em estrita observância à legislação eleitoral”.