FOLHAPRESS - O presidente Lula (PT) tem reclamado a assessores próximos sobre o que classifica como vazamentos seletivos de informações da investigação da Polícia Federal envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido por Lulinha, por suspeita de tráfico de influência e corrupção.

O petista atribui a circulação de detalhes sobre depoimentos e relatórios da PF ao que chama de "ala bolsonarista" da corporação, numa referência a integrantes simpáticos ao grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), incluindo agentes que ocuparam cargos relevantes em sua gestão.

 


Lula estaria incomodado com o fato de as informações relativas ao caso estarem sendo divulgadas aos poucos, em plena corrida eleitoral, o que entende como resultado de uma falta de controle da PF sobre seus servidores.

Fábio Luís está sendo investigado pela PF por suposto tráfico de influência. Ao ser sabatinado pela TV Globo na última quinta-feira (27/8), Lula afirmou que a Polícia Federal está "vazando coisas" sobre o caso para a imprensa. O presidente admitiu se tratar de um episódio que leva "suspeitas" para dentro de seu governo.

A publicização gradual de elementos do caso tornaria a reação de Lula e do governo mais custosa, na avaliação de auxiliares do presidente. Esse processo, segundo eles, gera desgastes sucessivos e cobranças por explicações a cada nova reportagem sobre o tema.

Na avaliação do presidente e de interlocutores próximos, a retirada total do sigilo do caso poderia ser benéfica nesse cenário. Além de conter o desgaste, a revelação do conteúdo completo da investigação permitiria costurar uma resposta mais consistente e única e, então, tentar superar a questão.

Na avaliação de aliados do presidente, o ritmo dos vazamentos acaba ajudando opositores de Lula, pois, ao lançarem luz sobre suspeitas ligadas ao filho do presidente, deixam em segundo plano o escândalo que tem potencial de afetar a campanha do senador Flávio Bolsonaro: o caso Master.

A revelação de detalhes sobre as investigações contra Lulinha se dá em meio a uma troca de acusações de colaboradores do presidente, alimentando um clima de desconfiança na Esplanada dos Ministérios.

Embora diga confiar no trabalho do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e tenha determinado o avanço das investigações, o petista manifestou a aliados preocupação com o que seria um ambiente conflagrado na instituição. Alguns colaboradores de Lula chegam a cobrar uma atuação mais enfática da chefia da corporação contra vazamentos com possíveis interesses políticos por parte de membros da equipe.

Segundo essas queixas, falta pulso a Andrei para inibir esses vazamentos. Alguns aliados cobram uma punição exemplar, como troca de delegados ou transferências de membros para outros estados, para desencorajar atos de insubordinação.

Lula já declarou, tanto a aliados como em falas públicas, que não interfere e nem vai interferir no trabalho da Polícia Federal. O petista teria dito não querer aparelhar a corporação, nem ter uma polícia para chamar de sua. Sob reserva, o presidente também teria afirmado aos advogados de seu filho não querer que Fábio Luís estivesse acima nem abaixo da Justiça.

A autonomia da corporação tem sido uma bandeira reforçada pelo presidente para se mostrar afastado de posturas como as que o governo Bolsonaro foi acusado, de interferências na gestão no trabalho da polícia.

Outra ala do PT atribui os vazamentos ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso de Lulinha no STF (Supremo Tribunal Federal), por ser o local que reúne os dados dos inquéritos.

O magistrado, por sua vez, determinou em 21 de agosto a ampliação da investigação sobre vazamentos relacionados ao caso. A medida atendeu a um pedido da defesa de Lulinha. Na decisão, o ministro afirmou ser essencial a apuração "das informações que foram objeto de veiculação indevida".

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Lulinha comunicou a Mendonça a questão após reportagens publicadas no último dia 17. Sua defesa disse ao relator que algumas das reportagens veiculadas sobre o caso afirmam terem tido acesso à íntegra do inquérito.

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