Os candidatos ao Senado por Minas Gerais usaram a primeira inserção da propaganda eleitoral gratuita no rádio, nesta sexta-feira (28/8), para apresentar suas trajetórias, reforçar vínculos políticos e destacar temas que deverão marcar a campanha. O primeiro bloco foi dedicado aos postulantes à Câmara Alta, seguido pela propaganda dos candidatos a deputado estadual.

O horário eleitoral gratuito é uma das principais ferramentas das campanhas para ampliar o conhecimento dos candidatos entre os eleitores e tentar alterar cenários apontados pelas pesquisas de intenção de voto. Às segundas, quartas e sextas-feiras, a propaganda de governador, senador e deputado estadual é veiculada no rádio das 7h às 7h25 e das 12h às 12h25. Na televisão, os programas vão ao ar das 13h às 13h25 e das 20h30 às 20h55. Para o Senado, são sete minutos por bloco, equivalentes a 28% do tempo destinado aos cargos em disputa nesses dias.

Candidato do Bolsonaro

Primeiro candidato ao Senado a aparecer no programa, Domingos Sávio (PL) concentrou sua estreia na apresentação de sua trajetória política e na associação de sua candidatura ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. O deputado federal destacou ser o nome escolhido por Bolsonaro para representar Minas Gerais no Senado.

"Tenho uma vida dedicada a servir e sou ficha limpa", iniciou. Na sequência, o candidato direcionou o discurso para problemas nacionais e estaduais. Citou o aumento dos preços, os impostos, o desemprego, a violência e as condições das rodovias federais em Minas.

Domingos Sávio também criticou o que chamou de "submissão do Senado" e mencionou a prisão de Bolsonaro, atualmente em domiciliar. "O líder de grande parte dos brasileiros, preso e censurado nessa eleição por um golpe que não aconteceu, por causa da submissão do Senado a quem se acha dono do país", criticou.

Aro aposta em trajetória e atuação social

O ex-secretário Marcelo Aro (PP) adotou um formato diferente. O programa simulou uma transmissão de rádio, com uma apresentadora introduzindo a candidatura e destacando aspectos da trajetória do candidato. Aro falou sobre sua formação e sua experiência na política. Também apresentou a Casa de Maria, iniciativa para acolher gratuitamente famílias de crianças com doenças raras, entidade inspirada em sua própria experiência familiar.

"Tenho seis filhos. A mais velha, Mariazinha, nasceu com uma síndrome raríssima. E isso mudou completamente a minha vida", apresentou. "A Casa de Maria nasceu para que outras crianças e outras famílias também pudessem ter o cuidado que a Maria teve na nossa casa. E, obviamente, tudo isso de forma gratuita", completou.

O candidato também apresentou sua trajetória eleitoral. "Eu aprendi que através da política é possível transformar a vida das pessoas. Eu fui vereador de BH, fui deputado federal por dois mandatos e também fui secretário de Estado da Casa Civil e de Governo", destacou.

Viana leva CPMI do INSS para o horário eleitoral

Candidato à reeleição pelo PSD, Carlos Viana utilizou sua participação no programa para recuperar momentos de sua atuação como presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.

As inserções reproduziram falas do senador durante os trabalhos da comissão, instalada para investigar descontos fraudulentos aplicados a aposentados e pensionistas. Entre os trechos exibidos no programa, Viana aparece defendendo os aposentados e afirmando que a comissão buscava responsabilizar os envolvidos nas fraudes. "Estamos aqui pela dignidade do povo que construiu o país. Estamos aqui por justiça, estamos aqui pela verdade."

A campanha também recuperou uma fala em que Viana associa a atuação na comissão à defesa dos aposentados. "Porque, quando o Estado falha com um aposentado, não falha só com uma pessoa, falha com a história inteira de um país que nunca desistiu. Aqui, os aposentados não ficarão sozinhos." A CPMI foi uma das principais vitrines nacionais do mandato de Viana. Sob sua presidência, porém, o colegiado encerrou os trabalhos sem aprovar um relatório final.

Arcanjo destaca representatividade

Arcanjo Pimenta (MDB) apostou na representação como principal eixo de sua estreia. O candidato relacionou sua candidatura à possibilidade de ampliar as perspectivas para jovens moradores das periferias.

"Eu vou ser um exemplo daquele menino lá da periferia que acha que ele só pode pegar uma arma ou vender droga, que ele tem capacidade de ser um senador, de ser um médico, de ser um advogado, porque o exemplo é que leva a sociedade ao avanço." Ao final, apresentou sua candidatura em conjunto com a chapa encabeçada por Gabriel Azevedo ao governo de Minas.

Marília Campos leva Lula para a propaganda

Marília Campos (PT) também adotou um formato semelhante a um programa de rádio com uma música de campanha introduzindo a inserção. O jingle de abertura apresentou a candidata como uma opção feminina para o Senado e repetiu seu número de urna. "Que política boa é a política da esperança", inicia Marília.

Em seguida, é introduzida uma fala do Lula, em que ele orienta os eleitores sobre a votação para o Senado e pede apoio à candidatura da petista. "No dia 4 de outubro, vocês vão chegar na urna para vocês votarem para senador. Aí vocês elegem essa caboclinha aqui senadora de Minas Gerais", disse, se referindo a Marília.

A propaganda foi seguida por uma inserção de Áurea Carolina, que integra a mesma chapa. A ex-deputada federal destacou a necessidade de eleger uma mulher negra para o Senado.

"Você sabe, para mudar as coisas, a gente tem que ralar muito. Eu sou Áurea Carolina, trabalhadora da política. Nesta eleição são dois votos para o Senado. E Minas Gerais precisa de uma mulher negra lá. Bora vencer."

Aposta em pautas regionais e ideológicas

Na sequência da propaganda dos senadores, os candidatos a deputado estadual apresentaram mensagens predominantemente centradas em suas trajetórias, regiões de atuação e bandeiras específicas. Entre os temas citados estiveram a defesa das estradas e dos hospitais do interior, saúde pública, educação, segurança, mobilidade, causa animal, autismo, direitos humanos, meio ambiente e defesa de categorias profissionais.

As propagandas também evidenciaram diferenças entre os partidos. Candidatos de legendas de centro destacaram experiências administrativas e atuação municipalista, enquanto os programas de partidos de esquerda enfatizaram educação, direitos sociais, cultura, defesa do meio ambiente e oposição à privatização da Copasa. Já candidatos ligados ao PL reforçaram pautas como família, fé, segurança pública, liberdade e defesa do legado de Bolsonaro.

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A propaganda eleitoral gratuita segue até os dias que antecedem o primeiro turno das eleições.

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