Patrus Ananias (PT), candidato ao governo de Minas Gerais, disse que pretende manter diálogo com diferentes setores do campo, incluindo o agronegócio, movimentos sociais e a agricultura familiar. Nesta quinta-feira (27/8), o petista também defendeu a atração de indústrias para que minerais como terras raras, lítio e nióbio sejam processados em Minas Gerais.
As declarações foram dadas durante visita ao galpão da Associação de Catadores de Papel, Papelão e Materiais Reaproveitáveis (Asmare), no bairro Prado, Oeste de Belo Horizonte. O local foi atingido por um incêndio no último dia 15.
A associação reúne 137 catadores e coleta cerca de 300 toneladas de materiais recicláveis por mês, entre papel, vidro, sucata e plástico. A trajetória da entidade cruza com a passagem de Patrus pela Prefeitura de Belo Horizonte, entre 1993 e 1996, período em que a Asmare ganhou espaço dentro das políticas voltadas aos catadores na capital.
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Getúlio Andrade, diretor da associação, afirmou que o ex-prefeito teve participação no fortalecimento da entidade. “A gente era muito invisibilizado. Ainda precisamos ser mais valorizados, temos um papel importante nas cidades. Patrus nos ajudou a construir a Asmare, depositou confiança na gente”, afirmou.
Durante a visita, Patrus defendeu que iniciativas voltadas à população em situação de vulnerabilidade sejam articuladas também com as prefeituras do interior. “Não é justo, não é razoável que um ser humano fique na rua. A moradia e a segurança alimentar são condições básicas para afirmarmos a dignidade da pessoa”, disse.
Diálogo com o agronegócio
Dizendo-se abertamente defensor do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o candidato foi questionado sobre como pretende conciliar a relação com o agronegócio e, ao mesmo tempo, com movimentos ligados à reforma agrária.
Ele afirmou que pretende dialogar com os diferentes segmentos do setor. “Nós vamos dialogar com o agronegócio. Minas Gerais tem uma bela tradição na agricultura, na agropecuária, e nós vamos avançar também na agroindústria, potencializando os nossos produtos agrícolas”, afirmou.
O candidato citou ainda a agricultura familiar e os pequenos e médios produtores. “Vamos conversar com todos os setores que produzem alimentos, que trabalham a terra no nosso estado, para garantirmos, em primeiro lugar, a segurança alimentar de toda a população mineira”, disse.
Segundo Patrus, o desenvolvimento da produção agrícola também deve estar ligado ao combate à fome e ao fortalecimento da economia estadual.
Terras raras e industrialização
Patrus também foi questionado sobre a criação de um polo mineiro de industrialização do lítio e afirmou considerar o tema estratégico para a economia de Minas. O candidato defendeu a criação de uma estrutura estadual para acompanhar a exploração de riquezas minerais e citou as terras raras na região de Poços de Caldas, o lítio no Vale do Jequitinhonha e o nióbio na região de Araxá.
Para Patrus, Minas precisa avançar na industrialização desses minerais antes de exportá-los. “Precisamos superar essa fase, que vem desde o tempo do ouro, de exportar matérias-primas importantes e depois importar os produtos devidamente industrializados por um preço muito maior”, afirmou.
O petista ressaltou ainda que pretende buscar empresas privadas para investir no processamento desses minerais dentro do estado. Segundo ele, a participação do setor privado deverá seguir critérios relacionados à legislação ambiental e trabalhista.
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“O estado não tem condições de fazer essa indústria. Vamos trabalhar abertamente com os empresários, com o setor privado, mas dentro de certas diretrizes, que obedeçam ao respeito ao meio ambiente e às leis trabalhistas”, disse.
