O candidato do MDB ao governo de Minas Gerais, Gabriel Azevedo, pretende ser o “governador das ferrovias”, caso seja eleito nas eleições de 2026. Em entrevista à TV Alterosa do Sul e Sudoeste de Minas, ele apresentou suas propostas para ampliar o transporte ferroviário, descentralizar a estrutura do governo e equilibrar as contas públicas.

Azevedo também defendeu a revisão das isenções fiscais concedidos a empresas, a criação de uma comissão independente para avaliar políticas públicas e mudanças nos critérios de contratação e fiscalização de obras rodoviárias.

A principal bandeira apresentada por Azevedo durante a entrevista foi a expansão do transporte ferroviário. O candidato disse que pretende assumir o tema como uma prioridade. Para o Sul de Minas, ele citou duas frentes. Uma delas é a chamada Ferrovia do Café, discutida, segundo ele, em parceria pelas Fecomércios de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.

A outra prevê a integração ferroviária de Varginha, Três Corações e Lavras em direção ao Rio de Janeiro. O candidato também defendeu uma conexão entre Três Corações, Varginha, Lavras e Cruzeiro, em São Paulo, com a possibilidade de implantação de trens de passageiros e turismo.

Para ele, o transporte ferroviário poderia reduzir custos logísticos ao permitir que os trens levassem produtos da região aos portos e retornassem carregados com mercadorias e insumos. “O grande diferencial logístico é fazer o trem levar o café e retornar carregado de produtos importados dos portos. Se os insumos e produtos do porto vierem por ferrovia e não apenas por rodovias, o custo do frete cai drasticamente e a comida fica mais barata para o consumidor final.”

Azevedo reconheceu que as obras poderiam ultrapassar o período de um mandato, mas disse que pretende iniciar os projetos mesmo sem a perspectiva de inaugurá-los em quatro anos. “Eu assumo uma postura de estadista: sei que uma ferrovia não se conclui em quatro anos, mas o mais importante é iniciarmos o projeto”, ponderou.

Apesar da defesa das ferrovias como uma prioridade de governo, o candidato também apresentou propostas para a malha rodoviária. Gabriel propõe a criação de um banco permanente de projetos de longo prazo, mudanças nos critérios de contratação de obras e um anuário de transparência sobre as condições das rodovias. “Vamos mudar o critério de contratação de obras, eliminando a lógica de contratar apenas pelo menor preço, que resulta em asfalto de baixíssima qualidade que se desfaz na primeira chuva”, criticou.

O candidato também defendeu maior rigor na fiscalização das concessões rodoviárias. “O cidadão só deve pagar se houver manutenção de qualidade. Se a concessionária não cumprir o contrato de melhoria contínua das rodovias, será cancelada a concessão”, disse.

Governos regionais

Outra das principais propostas apresentadas pelo candidato é a criação de governos regionais permanentes. Segundo Azevedo, a medida teria como objetivo descentralizar a administração estadual e aproximar a estrutura do Executivo dos municípios do interior. “Não dá para fazer um governo mineiro de Belo Horizonte que funcione apenas para Belo Horizonte", contou. A proposta prevê equipes permanentes nas diferentes regiões de Minas, com atuação em áreas como obras e saúde.

Contas públicas

Na área econômica, o candidato criticou o que classificou como um “rombo fiscal” de R$ 7 bilhões que, segundo ele, será deixado pela atual gestão para o próximo mandato, referindo-se ao déficit fiscal previsto para o próximo ano.

Para reduzir o desequilíbrio das contas, Azevedo pretende revisar os benefícios fiscais concedidos pelo estado. “Minha primeira medida de governo será publicar a lista desses beneficiários para auditar se essas isenções fiscais geram algum retorno real para a população”, anunciou.

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Como segunda medida, ele propôs a criação de uma comissão independente de economistas e doutores para avaliar políticas públicas estaduais. A ideia, segundo Azevedo, é verificar o retorno dos recursos aplicados pelo estado. “Vamos auditar se cada centavo investido traz retorno real ao cidadão; o que for ineficiente e não funcionar será cortado”, afirmou.

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