O candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema, afirmou nesta quarta-feira (26/8), durante visita ao Hospital Regional de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, que a atenção primária será uma de suas prioridades caso seja eleito. Ex-governador de Minas Gerais, Zema também defendeu maior descentralização de recursos para estados e municípios, criticou os chamados supersalários e afirmou que a União precisa ampliar os investimentos em infraestrutura e saúde.

Durante a agenda, Zema destacou a conclusão do Hospital Regional de Teófilo Otoni e disse que a unidade representa o modelo de atendimento que pretende levar para outras regiões do país. Segundo ele, a sua gestão em Minas avançou na construção de hospitais regionais e na ampliação das unidades básicas de saúde (UBS). “Como presidente, eu quero levar esse padrão de atendimento, essa dignidade para todo brasileiro”, projetou.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de construção de novos hospitais em Minas, Zema, embora não seja mais o governador, afirmou que a prioridade, neste momento, é consolidar as unidades que já foram planejadas. Ele também garantiu que a gestão estadual tem estudos para identificar as regiões com maior demanda por cirurgias e exames.

“O secretário de Saúde tem um planejamento para ver onde existe mais demanda de cirurgias, de exames, para, no futuro, dependendo desse estudo que é técnico, serem implantados mais hospitais. Mas, por hora, eu diria que a missão foi cumprida. Nós colocamos de pé aquilo que ficou parado aí mais de 10 anos aguardando conclusão”, disse.

A declaração ocorre em meio a um cronograma ainda incompleto dos hospitais regionais financiados com recursos do acordo de reparação da tragédia de Brumadinho. O Hospital Regional de Divinópolis foi inaugurado em fevereiro deste ano, enquanto o de Teófilo Otoni teve as obras concluídas em dezembro de 2025 e foi entregue à população. O prazo inicialmente informado pelo governo de Minas era setembro de 2025 para Teófilo Otoni e agosto para Divinópolis.

O Hospital Regional de Sete Lagoas foi entregue em junho de 2026 - dentro do prazo estipulado. Já as unidades de Governador Valadares e Conselheiro Lafaiete, por outro lado, ainda não foram entregues.

Atenção primária

Para Zema, a expansão da atenção básica deve ser o principal eixo de uma política nacional de saúde. Ele argumentou que a presença de UBSs próximas às residências pode evitar o agravamento de doenças e reduzir a necessidade de deslocamentos para consultas, exames e tratamentos.

“A prioridade é o atendimento primário. Foi o que nós fizemos aqui em Minas. Levamos a saúde para todas as regiões do Estado. Ninguém tem dignidade, ninguém tem facilidade de vida se precisa viajar umas três horas para fazer uma consulta e um exame”, criticou. Na sequência, citou como exemplo o acompanhamento de pacientes com alterações nos níveis de glicose e afirmou que o atendimento precoce pode evitar o desenvolvimento de doenças e complicações futuras.

Mais recursos para municípios

Questionado sobre a participação do governo federal no financiamento de hospitais e melhorias na saúde, Zema defendeu a ampliação da parcela de recursos destinada diretamente aos municípios ou a adoção de um novo pacto federativo.

Para o candidato, a transferência automática de recursos reduziria a dependência dos prefeitos em relação a parlamentares. “O problema que nós enfrentamos hoje no Brasil é que o prefeito fica a vida toda com pires na mão pedindo dinheiro. O certo era o dinheiro ir automaticamente. O que eu quero é uma política mais independente, aonde a gente elimine esse tipo de chantagem, de pressão, que muitas vezes só ajuda quem fica fazendo politicagem e não quem tem uma boa gestão ou paga impostos.”

Críticas a gastos e supersalários

Durante a agenda, o candidato também defendeu uma política de redução de despesas públicas. Segundo ele, uma das primeiras medidas seria combater os supersalários e os benefícios adicionais recebidos por algumas categorias do funcionalismo. “Nós temos de acabar com essa farra que tem acontecido dentro do Judiciário”, disparou.

Zema também defendeu o “fim de privilégios” - uma de suas principais bandeiras na campanha -, a redução de sigilos sobre gastos públicos e punições mais severas para casos de corrupção.

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Privatizações e rodovias

O candidato também criticou as condições das rodovias federais em Minas Gerais e afirmou que pretende utilizar recursos obtidos com privatizações para financiar obras de infraestrutura caso seja eleito. “As rodovias são importantíssimas, primeiro para escoar a produção econômica, segundo para transportar pacientes, como nós estamos aqui falando de saúde, e, infelizmente, as rodovias federais em Minas Gerais não têm recebido o devido tratamento”, afirmou.

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