Presidente do BNDES chama de 'velha' proposta de Zema de vender o banco
Segundo Mercadante, a instituição financeira estatal não é nenhuma "jabuticaba brasileira" e em todo o planeta existem 555 bancos públicos
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O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, criticou nesta terça-feira (25) a proposta do candidato do Novo à Presidência da República, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), de privatizar a instituição e a Petrobras. Durante agenda em Curitiba, Mercadante afirmou que a defesa das privatizações repete uma ideia que não produziu resultados esperados em outros países onde foi colocada em prática. “O partido chama Novo, mas essa é uma ideia velha, que não deu certo porque algumas instituições são essenciais em uma relação criativa entre o Estado e o mercado”, afirmou.
Segundo Mercadante, o país precisa combinar um Estado forte com um mercado regulado e capaz de atuar em parceria com bancos públicos. Ele citou instituições de outros países para defender a importância desse modelo.“Temos 555 bancos públicos no planeta hoje, não é uma jabuticaba brasileira. Aqui mesmo na região, nós temos o BID e o Banco Mundial. O KfW, da Alemanha, está ajudando a financiar os ônibus aqui em Curitiba. É um banco público, do Estado alemão, que está em parceria com o BNDES para trazer o recurso para Curitiba”, disse.
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Zema tem defendido a privatização de grandes empresas estatais, entre elas a Petrobras, o BNDES e o Banco do Brasil. Mercadante também citou a atuação do BNDES na reconstrução do Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024.
Segundo ele, o banco destinou R$ 29 bilhões para o governo do Paraná para apoiar a recuperação da economia do estado. “Quem é que vai enfrentar os desastres naturais? Quem foi para o Rio Grande do Sul colocar R$ 29 bilhões e recuperar toda a economia que cresceu acima da média nacional? O banco público, o BNDES”, afirmou.
Para ele, a função do banco não é substituir as instituições privadas, mas atuar em conjunto com elas. “Nós não temos que substituir os bancos privados. Nós temos que trabalhar em parceria e, por sinal, é excelente. Depois de 55 anos, o BNDES hoje faz parte da Febraban. Estamos lá, discutindo, trabalhando juntos, mobilizando o capital privado.”
O presidente do BNDES também defendeu a atuação da instituição no financiamento de projetos de longo prazo, que, segundo ele, não necessariamente apresentam retorno imediato.
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“Quem olha, por exemplo, um projeto de 30 anos para pensar o desenvolvimento de uma cidade e não pensa o resultado imediato é um banco público, é o BNDES. Quem é que está tratando da transição energética? Por que o Brasil é o país que tem a melhor matriz energética do G20? Porque tem um banco público, segundo a Bloomberg, que é o banco que mais financiou a energia limpa e renovável da história. Então, em algumas tarefas você precisa dessa parceria”, afirmou.