O jornalista Fernando Gabeira avaliou a entrevista do ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) ao Jornal Nacional, da TV Globo, nessa segunda-feira (24/8). Segundo o comentarista, o candidato demonstrou estar tranquilo durante a sabatina. Para Gabeira, a postura serena foi uma das principais características do mineiro ao responder às perguntas da bancada.
“Eu acho que o que mais me impressiona bem nele é o fato de ele ser tranquilo. O fato de ele não ter se irritado”, apontou Gabeira durante análise na Globo News.
Leia Mais
-
Zema volta a atacar PT e reforça imagem de oposição de olho em 2026
-
'Sou um candidato, de certa maneira, outsider', diz Zema
“Um homem tranquilo, responde às perguntas sem problema. Tem resposta para tudo. Ele não é agressivo... não parece agressivo. Então isso eu acho uma boa coisa. Mas eu acho também, quer dizer, talvez eu seja meio velho nisso, acho que o político também tem que tirar um pouco da cadeira, te arrepiar, te indignar. Tem que ser uma coisa que mexe, entende?”, pontuou.
Para Gabeira, apesar de considerar positiva a serenidade do candidato, a entrevista não demonstrou grande capacidade de mobilização. “O político também muito calmo, muito tranquilo, respondendo as coisas sem grandes... sem grandes... meio que não consegue empolgar. Essa é a minha impressão. Mas é um homem sereno”, concluiu.
A jornalista Miriam Leitão também comentou a entrevista e avaliou que Zema utiliza uma linguagem que pode facilitar sua comunicação com eleitores que não acompanham de perto sua atuação como governador de Minas Gerais.
“E ele fala de um jeito para se comunicar com quem não acompanha muito o governo dele, pode ter acreditado em várias épocas coisas que ele disse, e eu acho que ele escorregou, que escorregou ao falar sobre as mulheres”, afirmou.
O que Zema defendeu no Jornal Nacional?
Romeu Zema foi o primeiro dos seis candidatos à Presidência convidados para a série de entrevistas do Jornal Nacional. O ex-governador de Minas Gerais teve 40 minutos para responder às perguntas da bancada do programa, na segunda-feira (24/8).
Entre as principais propostas apresentadas pelo candidato do Novo estão a privatização de empresas estatais, a classificação de facções criminosas como organizações terroristas e a anistia a condenados pelos crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado de janeiro de 2023.
Leia Mais
Na área econômica, Zema afirmou que pretende manter a reposição da inflação no salário mínimo, mas condicionou ganhos reais à situação das contas públicas e ao desempenho da economia.
“Eu garanto que ninguém vai ter perda. Se tiver inflação, nós daremos toda a inflação”, afirmou.
Questionado sobre aposentadorias, o candidato disse que não pretende alterar imediatamente a idade mínima, mas admitiu mudanças futuras de acordo com o aumento da expectativa de vida. Ele também defendeu a simplificação das leis trabalhistas e a criação de um regime de trabalho por hora.
Privatizações e segurança pública
Autodeclarado liberal na economia, Zema defendeu a privatização de empresas estatais federais, como a Petrobras. Durante a entrevista, também foi questionado sobre não ter conseguido vender a Cemig, apesar de ter defendido a privatização de empresas públicas mineiras durante sua gestão.
O candidato citou outras negociações realizadas pelo governo de Minas e afirmou que a valorização da Copasa e da Cemig ocorreu em razão da gestão de sua administração.
Na segurança pública, Zema defendeu que o Brasil adapte medidas adotadas por El Salvador no combate ao crime organizado, embora tenha dito ser contrário a prisões sem mandado judicial, à redução do habeas corpus e à restrição do acesso de investigados a advogados.
O candidato afirmou ainda que pretende classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
“Sou o único candidato que esteve lá em maio do ano passado para conhecer o avanço extraordinário que aquele país teve na redução de homicídios”, afirmou, referindo-se a El Salvador.
Anistia e tentativa de golpe
Outro dos momentos mais controversos da entrevista foi quando Zema falou sobre os condenados por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado de janeiro de 2023. O ex-governador afirmou não acreditar que tenha havido uma tentativa de golpe no país e prometeu conceder anistia ou defender que os casos sejam julgados por outra instância.
“Eu darei anistia, ou pelo menos, no mínimo, um tribunal que não seja político, um tribunal que seja judicial. Porque o que nós vemos no Brasil foi perseguição”, disse.
Zema classificou os julgamentos realizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como "nitidamente políticos".
A participação no Jornal Nacional aconteceu um dia depois de Zema cancelar a ida a um debate promovido pela Band e pelo jornal O Estado de S. Paulo. O candidato havia confirmado presença, mas desistiu após as ausências de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
A entrevista era considerada por aliados como uma das principais oportunidades para ampliar a projeção nacional do mineiro. Pelas regras eleitorais, o Novo não terá direito a tempo no horário eleitoral gratuito de televisão.
