O senador Carlos Viana (PSD-MG), candidato à reeleição, afirmou nesta quinta-feira (20/8) que busca assinaturas para criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar a eventual atuação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em suposto tráfico de influência e possíveis irregularidades envolvendo contratos com o governo federal. A declaração foi dada durante conversa com a imprensa após sabatina promovida pela Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Granbel).
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Viana afirmou que pretende mobilizar senadores e deputados para viabilizar a comissão e disse que a investigação é necessária para esclarecer denúncias que, segundo ele, envolvem pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O pedido estende as investigações à empresária Roberta Luchsinger e a um ex-integrante da estrutura da Presidência da República.
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“Há uma tentativa clara de se blindar às investigações mais uma vez, de se impedir que a população brasileira conheça o que está por trás de toda essa história, o que está oculto, que seria uma tentativa de milhões de reais de contratos fraudulentos, segundo a Polícia Federal, que, se tivesse sido levado a cabo, poderia trazer um grande prejuízo à população brasileira.”
Viana também fez críticas à condução das investigações por órgãos do sistema de Justiça e afirmou que o Congresso deveria assumir a apuração por meio de uma CPI. “Nós temos a Procuradoria-Geral da República tentando levar o inquérito para a primeira instância, que vai atrasar em muito toda a investigação. Nós temos uma direção-geral da Polícia Federal que está sob suspeita de tentar trocar as equipes da investigação, numa tentativa de tirar o ministro André Mendonça de todo esse caso", disparou.
As críticas se referem ao pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que um dos inquéritos envolvendo Lulinha seja encaminhado à primeira instância da Justiça. O pedido foi apresentado pelo procurador-geral Paulo Gonet, depois que Mendonça autorizou a abertura de uma das investigações contra o empresário. O caso apura suspeitas de tráfico de influência em órgãos do governo federal.
Segundo a manifestação da PGR, não há entre os investigados alguém com foro por prerrogativa de função no STF que justifique a permanência da apuração na Corte. A manifestação de Gonet está sob sigilo. O STF possui competência originária para julgar autoridades que têm foro por prerrogativa de função, entre elas o presidente da República, deputados e senadores, ministros de Estado, ministros do próprio Supremo e o procurador-geral da República.
Críticas ao governo
Questionado sobre a possibilidade de o governo interpretar a iniciativa como uma tentativa de atingir indiretamente o presidente Lula e sua candidatura à reeleição, Viana afirmou que já é alvo de críticas da base governista e disse que pretende manter a atuação no Congresso.
“A base do governo vem atacando deliberada e planejadamente. Desde que tive a coragem de colocar em pauta a quebra de sigilo fiscal, tributário, telefônico do irmão do presidente, que é vice-presidente do sindicato envolvido em denúncias, do filho do presidente, dos lobistas que atuavam desde o Palácio Nacional, de gente da direita, de deputado e senador. Eu não blindei ninguém nessa história, então podem dizer o que quiserem, a população brasileira sabe quem está a favor da verdade e quem está tentando, infelizmente, impedir as investigações.”
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O senador também comparou a situação com episódios investigados pela Operação Lava-Jato e afirmou que pretende manter a atuação independentemente do calendário eleitoral. “Não podemos deixar de repetir o que aconteceu. Nós não podemos aceitar isso. Se tem eleição ou não, eu vou cumprir com a minha obrigação. Espero que cada parlamentar assine e colabore na investigação.”
