Governo Lula

Amiga de Lulinha disse falar em nome do filho do presidente, aponta PF

Diálogos também indicam que empresária queria 20% de lucro sobre contratos com governo

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Diálogos analisados pela Polícia Federal apontam que a lobista Roberta Luchsinger dizia falar em nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e queria obter 20% de lucro em um projeto de cannabis medicinal que tentava vender ao governo Lula(PT).

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Em um dos diálogos acessados pela PF, Roberta disse falar em nome do filho do presidente, utilizando a expressão "Eu sou o Fábio".

O teor da mensagem, revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo, foi confirmado pela Folha, que obteve trechos de outras conversas nas quais Roberta cita a comissão de 20% e a atuação de Otto Medeiros, advogado influente em Brasília.

Nos diálogos em posse da PF, Roberta diz em 2024 a um ex-assessor parlamentar que tentaria atuar no contrato de cannabis medicinal com Otto.

Ela cita também que ele seria "sócio do Cassio (sic)", em referência ao ministro Kassio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal), embora sem indicar nessas conversas atuação do próprio magistrado.

Interlocutores de Kassio tratam a conversa como uma distorção da realidade e eventual tentativa de vender influência, já que o advogado é amigo do ministro do STF.

Kassio disse em nota que "não é e nunca foi sócio do senhor Otto Medeiros em qualquer empreendimento". "Os dois mantêm uma relação de amizade, porém o ministro se declara impedido nos processos em que o advogado atua no STF."

A defesa de Lulinha disse que não pode "até o momento atestar a veracidade de qualquer mensagem" e que "qualquer afirmação agora parece absolutamente incoveniente e inoportuna".

"O que posso dizer é que estão ocorrendo vazamentos criminosos por setores da Polícia Federal instrumentalizados por interesses políticos e eleitorais para tentar, de alguma forma, contaminar as eleições de 2026", diz o advogado Marco Aurélio Carvalho.

A defesa de Roberta Luchsinger disse que não se manifestará. A reportagem não localizou Otto Medeiros.

Como mostrou a Folha, documentos indicam que Lulinha já voou em jatos privados de Otto Medeiros e que o advogado já atuou para ele no caso em que o filho do presidente foi acusado de sonegação fiscal, na época da Operação Lava Jato.

A apuração da PF investiga suspeitas dos crimes de corrupção e tráfico de influência na autorização da comercialização de cannabis medicinal, em programas ligados ao Ministério da Saúde. O relator do caso no STF é o ministro André Mendonça.

A defesa de Lulinha sempre negou que ele tivesse cometido irregularidades nessa investigação.

O ex-chefe de gabinete do presidente Lula Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, chegou a receber de Roberta uma minuta de contrato para venda, ao Ministério da Saúde, de medicamentos à base de canabidiol com dispensa de licitação.

Marcola confirma ter recebido um modelo de contrato, mas afirma não ter repassado a minuta adiante para ninguém do governo. A troca de mensagens foi obtida pela Polícia Federal, publicada pelo jornal O Globo e confirmada pela Folha.

As investidas no Ministério da Saúde não prosperaram. Além do vínculo com Lulinha, Roberta também é investigada pela relação com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

As investigações apontam a relação dela com Lulinha, além de reuniões que envolveram também Marcola e o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger.

Ela chegou a ser recebida no Ministério da Saúde. A interlocutores Swedenberger repete que uma de suas funções era receber pessoas e dar encaminhamento a demandas para análise técnica e posterior decisão. Ele frisa que não houve andamento à proposta apresentada por ela.

Ainda segundo as investigações, Roberta comprou duas joias de diamantes a pedido de Marcola, para que fossem presenteadas no Dia das Mães. As tratativas para a aquisição constam em diálogos obtidos pela Polícia Federal. As investigações integram o material desdobrado das supostas fraudes do INSS.

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A defesa de Marcola afirma que o montante gasto pela empresária com a compra das joias se insere no valor total do empréstimo obtido junto a Roberta, no valor de R$ 217 mil, e já quitado por ele.

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