O senador Luís Eduardo Girão (Novo-CE) será o vice do ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo) na campanha pela Presidência da República, formando uma chapa puro-sangue. Aos 53 anos, ele iria disputar pelo governo do Ceará, mas desistiu em meio a um cenário difícil de polarização. Agora, terá pela frente as mesmas dificuldades no páreo nacional.

O Partido Novo não formou nenhuma aliança nacional e acabou tendo que deixar a vice de Zema para um membro da própria legenda. Ao anunciar a escolha do cearense, o ex-governador disse que priorizava ter "uma pessoa decente e ficha limpa" na chapa: "Em oito anos como senador, Girão demonstrou toda a sua coragem e integridade para enfrentar o abuso de poder, a censura e a farra dos intocáveis de Brasília. Não poderia ser outra pessoa."

A escolha está ligada a um dos principais enfoques da campanha de Zema: o enfrentamento ao Supremo Tribunal Federal (STF). O senador tem histórico de críticas aos membros da Corte, questionando o que chama de "ativismo judicial" e "abuso" de ministros. Ele, inclusive, se posicionou contra a indicação de Kassio Nunes Marques para o STF, feita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2020, assim como a nomeação de Jorge Messias por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste ano.

A fala do presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, reforçou a admiração pelo perfil combatente do parlamentar: "O senador Girão traz a experiência e a competência de quem teve um mandato exemplar no Legislativo. Junto com Romeu Zema, eles representam a coragem para enfrentar os intocáveis de Brasília e o compromisso ético necessário para liderar o país."

Girão era pré-candidato do Novo ao governo do Ceará, mas não teve o nome confirmado nas convenções partidárias. As pesquisas mostravam ele na terceira colocação, mas muito distante dos favoritos Ciro Gomes (PSDB), líder nas pesquisas e apoiado pelo PL, e o atual governador Elmano de Freitas (PT), que conta com o apoio do presidente Lula na tentativa pela reeleição.

"Decidi aceitar esse convite desafiador como uma missão existencial", disse o senador. "Pelos brasileiros sedentos por justiça, quero levar o que nós acreditamos e já defendemos em nossos mandatos aos quatro cantos do país: mais segurança, mais prosperidade, mais defesa da vida e família, e menos abusos dos intocáveis que tomaram conta do poder público."

Eduardo Girão

Empresário, atuou nos ramos de hotelaria, segurança privada e audiovisual antes de entrar para a política. Também foi presidente do Fortaleza Esporte Clube entre junho e dezembro de 2017. No ano seguinte, disputou as eleições pela primeira vez e conquistou mais de 1,3 milhão de votos, ficando com a segunda vaga para a Câmara Alta do Congresso Nacional – a primeira foi de Cid Gomes (PDT). Eles derrotaram o então presidente do Senado Eunício Oliveira (MDB).

Apesar de não ter sido apoiado por Jair Bolsonaro (então no PSL, hoje no PL) em 2018, foi eleito naquele ano surfando na onda do conservadorismo e antipetismo, disputando pelo Pros, que nacionalmente participou da coligação de Lula. Depois, passou pelo Podemos antes de se filiar ao Novo, em 2023. Os mesmos ideais conservadores guiaram a atuação parlamentar do cearense nos últimos oito anos. Em 2024, por exemplo, Girão formou um grupo de trabalho contra a vacinação infantil contra a COVID-19.

No campo pessoal, ele é ligado ao espiritismo. Fundou a Associação Estação da Luz, entidade que atua na produção de filmes sobre líderes do kardecismo, doutrina espírita baseada na moral cristã. Entre as obras que saíram da produtora, estão "Chico Xavier - o filme" e "Bezerra de Menezes: o diário de um espírito".

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Nas redes sociais, Girão se anuncia como um "democrata pela liberdade": "Cristão, pró-vida e pró-família. Contra o aborto, drogas e jogos de azar".

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