MAIOR PARTICIPAÇÃO FEMININA

Lula em BH: ‘Se vocês são maioria, por que não têm maioria na Câmara?’

Presidente defendeu maior participação feminina na política durante ato "Mulheres com Lula"e destacou ações do governo voltadas às mulheres

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, questionou a baixa representação feminina nos cargos eletivos durante o ato “Mulheres com Lula”, realizado neste sábado (29/8), na Serraria Souza Pinto, no Centro de Belo Horizonte. Diante de uma plateia majoritariamente feminina, o petista destacou que as mulheres são maioria da população, mas ainda ocupam uma parcela menor dos postos no Senado, na Câmara dos Deputados e nas câmaras municipais.

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“Se vocês são maioria, por que vocês não têm maioria no Senado? Por que não têm maioria na Câmara dos Deputados? Por que não têm maioria nas câmaras de vereadores?”, questionou Lula.

A discussão sobre a participação feminina também foi abordada pela candidata ao Senado por Minas Gerais Áurea Carolina (Psol), que defendeu mudanças no sistema político para ampliar a presença de mulheres nos espaços de poder e a representação racial. “Precisamos transformar o sistema político brasileiro para eleger mais mulheres de luta, comprometidas com os direitos das mulheres e com a transformação desse país”, afirmou Áurea.

Também candidata ao Senado por Minas, Marília Campos (PT) relacionou a presença feminina nos espaços de decisão à qualidade da democracia. “Nós sabemos que temos um presidente que reconhece que a democracia só será plena se tivermos igualdade entre homens e mulheres”, disse.

Terceiro mandato

Ao defender as ações do terceiro mandato, e as de uma possível reeleição, Lula enumerou políticas direcionadas às mulheres nas áreas de transferência de renda, educação, saúde e enfrentamento à violência. O presidente também destacou a presença feminina entre os beneficiários de programas sociais e educacionais do governo federal.

Entre as iniciativas citadas durante o ato estão o Programa Dignidade Menstrual, ações de prevenção ao câncer do colo do útero e medidas de enfrentamento à violência contra as mulheres. Lula também mencionou o Bolsa Família, o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e a participação feminina no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Ao citar os resultados dessas políticas, Lula afirmou que 84% dos beneficiários do Bolsa Família são mulheres e que o público feminino representa 70% dos inscritos no Fies e 54% dos participantes do Enem. Na área de proteção e saúde, o presidente disse que o Ligue 180 registrou 439,5 mil contatos desde 2023 e que 95 mil testes de HPV-DNA já foram realizados no país como parte das ações de prevenção ao câncer do colo do útero.

A ministra das Mulheres Assistente Social, Márcia Lopes, destacou as políticas de cuidado e afirmou que as ações voltadas ao público feminino têm sido articuladas com áreas como saúde, cultura, agricultura e assistência social. A divisão das responsabilidades de cuidado, que ainda recaem majoritariamente sobre as mulheres, foi um dos temas abordados ao longo do encontro.

No enfrentamento à violência, Lula citou o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, firmado entre os Três Poderes, além do Ligue 180 e da expansão das Casas da Mulher Brasileira. O presidente defendeu que o combate à violência contra as mulheres permaneça no centro da atuação do poder público.

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Apesar de reconhecer avanços durante os governos Lula e Dilma Rousseff (PT), Áurea Carolina cobrou a continuidade e a ampliação das políticas diante da persistência da violência contra as mulheres. “Com todos esses avanços que nós temos, que foram implementados pelo presidente Lula, pela presidenta Dilma, as mulheres não param de morrer, as mulheres não param de ser violentadas. Então, a nossa luta tem que continuar”, afirmou.

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