Ruy Castro: ‘Lulinha é um estrupício’
Em coluna na Folha, biógrafo critica filhos de Lula e Jair Bolsonaro e cita suspeitas envolvendo os dois
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O colunista Ruy Castro criticou os filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em artigo publicado nesta quarta-feira (26/8) na Folha de S. Paulo. Ao discutir qual seria o perfil ideal de um candidato à Presidência, o biógrafo afirmou que Lula “teria muito a ganhar se fosse estéril” e chamou Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, de “um estrupício como cidadão e mais ainda como filho de candidato”.
No mesmo texto, Castro afirmou que, no caso do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, a “esterilidade deveria ter começado bem lá atrás, pelo avô dele”. Para o colunista, “a inexistência de Jair Bolsonaro preencheria uma lacuna”.
As declarações foram feitas em um artigo no qual Castro parte de sua experiência como biógrafo para discutir as dificuldades de escrever sobre pessoas que têm familiares vivos. Ele argumenta que o biografado ideal seria “órfão, filho único, solteirão, estéril e brocha” e afirma, em tom crítico, que os mesmos critérios poderiam ser aplicados aos candidatos à Presidência.
Ao concluir a comparação entre os dois filhos, Ruy Castro escreveu que “Lulinha e Flávio [Bolsonaro] vivem de negociatas com gente suspeita e têm um monte de sujeiras a explicar”. O colunista acrescentou, porém, que “só Flávio quer ser presidente”.
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Lulinha é investigado
Castro não entra em detalhes no texto, mas insinua sobre as suspeitas investigadas pela Polícia Federal envolvendo suposto tráfico de influência. Lulinha é atualmente alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), instaurados a partir de pedidos da PF.
Um dos casos investiga se ele teria atuado em favor do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, junto ao Ministério da Saúde. A PF apura possíveis relações entre Lulinha, o empresário e a empresa World Cannabis, além de uma suposta tentativa de viabilizar a venda de medicamentos à base de canabidiol ao governo federal.
Lulinha admitiu, em documento apresentado ao STF, ter viajado a Portugal com despesas pagas por Antunes para buscar um negócio relacionado à cannabis medicinal. A PF também investiga três negociações que teriam envolvido o Ministério da Saúde: uma para a venda de R$ 627 milhões em medicamentos à base de cannabis, outra para o fornecimento de testes para dengue e outras arboviroses e uma terceira relacionada a parcerias produtivas por meio da Iquego, empresa pública de Goiás.
Segundo a investigação, nenhuma das negociações avançou. A PF, porém, sustenta que Lulinha teria atuado em “comunhão de interesses econômicos” com a empresária Roberta Luchsinger e poderia ser beneficiário indireto de ações atribuídas a ela.
O nome de Lulinha também apareceu inicialmente nas investigações sobre as fraudes no INSS. Após aprofundar as apurações, contudo, a PF descartou seu envolvimento no esquema de desvios de benefícios e pediu a abertura de uma investigação específica para apurar a relação dele com o Careca do INSS.
Outro inquérito apura uma possível atuação de Lulinha na Dataprev para favorecer um empresário interessado em negociar com a estatal e outros órgãos do governo. Um terceiro caso, autorizado pelo STF em 4 de agosto, investiga suspeitas de tráfico de influência em favor de empresas parceiras dele. Dois dos inquéritos estão sob relatoria do ministro André Mendonça. O terceiro foi distribuído ao ministro Flávio Dino.
Dark Horse sem explicações
Já sobre Flávio Bolsonaro, Castro se refere à suspeita envolvendo a relação do senador com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O episódio envolve um áudio divulgado pelo The Intercept Brasil, no qual Flávio cobra R$ 134 milhões de Vorcaro para a produção do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
A conversa gravada ocorreu em novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso pela PF sob suspeita de envolvimento em um esquema de corrupção, propina, lavagem de dinheiro e lobby. Após ser liberado, o empresário recebeu a visita de Flávio em São Paulo.
O senador confirmou o encontro e afirmou que foi ao local para encerrar o contrato entre Vorcaro e a produção do filme. A transferência, no entanto, é investigada em um inquérito no STF e as apurações buscam esclarecer a origem e a utilização dos recursos destinados ao filme.
A produtora responsável pelo longa, Go Up, informou custo aproximado de R$ 75 milhões. Uma perícia particular apresentada em investigação sobre possível uso de recursos públicos, porém, não detalhou os financiadores nem apresentou comprovantes fiscais dos serviços.
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Em maio, Flávio afirmou ter cobrado da produtora transparência na prestação de contas e disse estar disposto a divulgar a íntegra do contrato firmado com Vorcaro, o que não ocorreu até hoje.