ELEIÇÕES 2026

Lula ou Flávio Bolsonaro? A guerra pelo voto de 52% do eleitorado

Os dois favoritos ao Planalto revelam planos opostos para as mulheres. Saiba a diferença real entre a redução da jornada e o foco no crédito

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A disputa pelo voto feminino ganhou espaço central na corrida presidencial. Mulheres representam 52,8% do eleitorado brasileiro, mas continuam sub-representadas entre os candidatos: são 34,8% das candidaturas neste ano. Nesse cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nomes da disputa mais bem colocados, têm propostas diferentes para um eleitorado que reúne mais da metade dos votos do país.

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Os programas de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram duas estratégias: Lula aposta na ampliação de políticas públicas, na proteção contra a violência, na redução da jornada de trabalho, na igualdade salarial e na divisão social do cuidado; Flávio concentra a agenda no empreendedorismo, na autonomia financeira, no acesso a crédito, na capacitação, em creches e em mecanismos tecnológicos de proteção.

Em 2022, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres dedicaram, em média, 21,3 horas por semana a afazeres domésticos e cuidados de pessoas — entre os homens foram 11,7 horas. Quando se soma o trabalho remunerado ao não remunerado, a carga total também é maior entre elas: 54,4 horas semanais para as mulheres, 52,1 horas para os homens.

Os dados ajudam a explicar por que o tema da jornada ganhou espaço nos programas eleitorais. A proposta de Lula é reduzir a jornada para 40 horas semanais, sem redução salarial, e avançar no fim da escala 6x1. O programa também estabelece o compromisso de ampliar a equivalência remuneratória entre mulheres e homens e fortalecer a aplicação da Lei da Igualdade Salarial — em 2024, eles receberam, em média, 27,2% mais que elas considerando o rendimento de todos os trabalhos, segundo o IBGE.

Já Flávio aborda a questão pelo viés da autonomia econômica. Propõe ampliar o acesso delas ao mercado de trabalho, facilitar a abertura de pequenos negócios e integrar qualificação, vagas de emprego e intermediação de mão de obra.

O programa de Flávio dedica um capítulo às mulheres. Entre as propostas está a Escola Brasil por Elas, que pretende oferecer cursos gratuitos em áreas como inteligência artificial, programação, marketing digital, finanças e idiomas, com conexão com vagas de emprego e trilhas para o empreendedorismo.

Na segurança, a diferença de abordagem entre eles também é evidente. Lula coloca o combate ao feminicídio e à violência doméstica entre os principais eixos de sua política para as mulheres. O programa de governo mantém o Pacto Brasil Contra o Feminicídio e prevê a conclusão de 30 Casas da Mulher Brasileira e 15 Centros de Referência da Mulher Brasileira em construção, além da expansão de equipamentos de proteção e monitoramento de agressores.

Flávio propõe a Denúncia Facilitada para integrar o Ligue 180, delegacias on-line, botão de emergência e centrais de monitoramento em uma plataforma. O programa ainda sugere um sistema nacional de avaliação de risco e o uso de tornozeleiras eletrônicas para agressores submetidos a medidas protetivas de maior risco.

Na largada oficial da campanha, em 16 de agosto, Lula falou diretamente às mulheres. "Mulheres desse país, não abaixem a cabeça nunca", afirmou. Disse que os homens precisam aprender a tratar as mulheres "como companheiras e não como serviçais". O discurso foi acompanhado por uma defesa do enfrentamento ao feminicídio.

Flávio fez outro tipo de aceno. Em 8 de agosto, num ato com apoiadoras, afirmou que pretende indicar homens e mulheres para as vagas que poderá preencher no Supremo Tribunal Federal, caso eleito. Mas, em 5 de agosto, Flávio causou mal-estar ao dizer que teve duas filhas "exatamente" para ter quem cuidasse dele quando envelhecesse.

A campanha do candidato passou, posteriormente, a reforçar o eixo feminino. Em 18 de agosto, Flávio anunciou Lyvia Montezano para cuidar do programa Brasil por Elas, indicando que a equipe ainda pretende detalhar a agenda destinada a elas.Ele também contará com a participação da ex-primeira-dama Michele Bolsonaro.

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Lula também ampliou a presença feminina na campanha. A primeira-dama Janja está à frente da organização de um encontro de mulheres, previsto para 29 de agosto, em Belo Horizonte, com expectativa de reunir 5 mil mulheres.

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