Dias após a decisão dos Estados Unidos de aplicar um tarifaço de 25% sobre os produtos exportados brasileiros, uma fala de sete anos atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre as relações do Brasil e o país norte-americano voltou a repercutir nas redes sociais. Nela, enquanto ainda estava preso em Curitiba (PR), o petista afirma que o americano só pensa em si e que, assim que saísse da detenção, estaria “com o pé na estrada para não deixar entregar o Brasil aos americanos” e “acabar com esse complexo de vira-lata”.
A afirmação de Lula foi feita em abril de 2019, em entrevista exclusiva aos jornais Folha de S. Paulo e El País. Ele foi preso em abril de 2018 no âmbito da Operação Lava Jato, sob acusação de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex no Guarujá (SP) e o sítio em Atibaia (SP), e foi solto em novembro de 2019 após mudança de regra sobre prisões em segunda instância do Supremo Tribunal Federal (STF).
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Na ocasião da entrevista, Lula comentou sobre a atuação do ministro da Economia do governo de Jair Bolsonaro (PL), Paulo Guedes, e disse que “nunca viu um presidente bater continência para a bandeira americana” ou dizer que ama os Estados Unidos.
“Americano pensa em americano em primeiro lugar, pensa em americano em segundo lugar, pensa em americano em terceiro lugar, pensa em americano em quinto, e se sobrar tempo pensa em americano. E ficam os lacaios brasileiros achando que os americanos vão fazer alguma coisa por nós. Quem tem que fazer por nós somos nós. Acabar com o complexo de vira-lata, levantar a cabeça e a solução dos problemas do Brasil está dentro do Brasil”, declarou Lula.
Na entrevista, o petista comentou sobre a “obsessão” que estava acontecendo naquele momento de “destruir a soberania nacional e em destruir empregos”, em meio à proposta de Guedes da reforma da previdência.
“O Guedes precisava criar vergonha. Onde que ele fez esse curso de economia dele? Se ele quiser me visitar aqui eu discuto com ele como a gente resolve esse problema dos pobres sem causar prejuízo aos pobres. Por que que não mostra os privilegiados que ele fala que vai acabar com o privilégio? Coloca a lista no jornal de dez privilegiados. Coloca nome, CPF. Não, é o coitado que vai ter que trabalhar até os 65 anos, que vai ter que contribuir 40 anos. Ele não percebe que tem muita gente que morre antes de chegar nessa idade”, comentou o presidente, que também lamentou “profundamente o desastre que está acontecendo nesse país” e afirmou: “é por isso que eu me mantenho em pé”.
A fala viralizou após a decisão da aplicação do tarifaço estadunidense divulgada pelo governo do presidente Donald Trump (Republicanos) na noite de quarta-feira (15/7), seguindo a recomendação do Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) após investigação da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que teve início em julho de 2025. A medida começa a valer na próxima quarta-feira (22/7).
As taxas excluem cerca de 2.100 produtos como carne, café, laranja, suco de laranja e peças para a fabricação de aviões. A justificativa é que esses itens são insumos importantes para a indústria estadunidense, têm pouca oferta doméstica ou são difíceis de substituir por fornecedores de outros países. Já produtos como etanol, vestuário, calçados, máquinas agrícolas e produtos industrializados serão atingidos.
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Um dia após o anúncio, o governo brasileiro escalou um grupo de ministros de Estado e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) para responder diretamente tanto ao novo tarifaço quanto às críticas feitas pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, ao presidente brasileiro. A reação conjunta do governo brasileiro combinou acusações de suposta interferência política promovida pelos EUA, críticas à família Bolsonaro e o anúncio de que o governo brasileiro dará início aos procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso no ano passado.
