Prefeituras de MG vítimas de golpe cibernético fecham acordo com a Caixa
Banco vai restituir dinheiro desviado com correção. Prefeito de Monte Sião comemorou decisão e disse que estava sendo acusado de desviar recursos da cidade
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Dez prefeituras mineiras vítimas de um golpe cibernético formalizaram nessa terça-feira (27/7) um acordo com a Caixa Econômica Federal. A instituição bancária vai ressarcir cerca de R$ 12,5 milhões depositados nas contas dessas prefeituras que foram desviados por meio de fraudes. O acordo foi assinado no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSC) da Justiça Federal, em Belo Horizonte.
Participaram da reunião prefeitos e representantes das prefeituras de Carmópolis de Minas, Serro, Ribeirão Vermelho, Presidente Juscelino, São José do Goiabal, Felixlândia, Luz, Monte Sião, Mateus Leme e Cabeceira Grande. O prefeito de Monte Sião, no Sul de Minas, Juninho Zucato (União), disse que ontem foi dos “dias mais felizes” desde que assumiu o comando da cidade, em janeiro de 2024.
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Segundo ele, o acordo com a CEF prevê a devolução integral dos cerca de R$ 5,7 milhões desviados das contas do município por meio do golpe cibernético, com correção pela taxa básica de juros. Mas, segundo ele, além de recuperar o recurso, que é importante para a cidade e estava fazendo falta, principalmente para a área da saúde, o acordo também recupera sua “honra”.
“Eu fui tratado como ladrão. Minha filha de 13 anos também estava sendo acusada na escola, por isso hoje é um dos dias mais felizes como prefeito, porque não é só o dinheiro, é também a honra”, destaca o prefeito, cujo município foi vítima do golpe em setembro do ano passado.
De acordo com ele, o mesmo acordo foi selado entre a CEF e todas as outras prefeituras alvos do golpe. No caso de Monte Sião, conta o prefeito, foram 54 transações bancárias feitas em 14 contas da prefeitura, em horário atípico.
Zucato diz que os fraudadores tinham todos os dados sigilosos da prefeitura e se passaram por funcionários da Caixa para dar o primeiro passo do golpe, que é a obtenção de informações para acessar as contas. As transações, relata Zucato, foram feitas em um intervalo de um segundo entre uma e outra, sem que houvesse um alerta da Caixa.
O dinheiro foi usado para pagar boletos e fazer compras. A prefeitura, logo após o golpe acionou a Justiça alegando falhas da CEF na proteção das contas do município. O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG). O caso também foi debatido em uma audiência na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
A partir daí, uma mesa de conciliação foi instaurada, e o acordo foi selado nesta quarta-feira (28/7). Segundo ele, o apoio do presidente do TCE-MG, Durval Ângelo, da Associação Mineira dos Municípios e da Justiça Federal foi fundamental para esse desfecho.
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As instituições foram responsáveis por intermediar, com a ajuda da Justiça Federal, as negociações com a Caixa. A Polícia Federal (PF) apura as fraudes, mas o procedimento tramita em sigilo. De acordo com Zucato, as informações são de que as investigações estão em fase avançada para descobrir os autores do golpe. A suspeita é de que os crimes tenham sido praticados por uma facção criminosa radicada no Ceará, já que parte dos recursos desviados foi parar em contas abertas naquele estado.