ELEIÇÕES 2026

Lula evita Marcha para Jesus e diz que não quer misturar fé e eleição

Presidente justificou ausência no evento evangélico em São Paulo alegando que não deseja transmitir imagem de uso político da religião

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) optou por não participar da Marcha para Jesus realizada nesta quinta-feira (4/6), em São Paulo, e afirmou que tomou a decisão para evitar que sua presença fosse interpretada como uma tentativa de “obter ganhos políticos a partir da fé”. A justificativa foi apresentada durante uma conversa com o bispo Estevam Hernandes, um dos organizadores do evento, e com o advogado-geral da União, Jorge Messias, publicada nas redes sociais.

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"Eu vou lhe contar porque eu não vou. Eu não participo de nada religioso em época de eleição porque eu não quero passar a ideia de que estou tentando tirar proveito político de uma coisa sagrada", disse Lula. Pré-candidato à reeleição, o petista ficou fora de um dos maiores encontros evangélicos do país, que reuniu milhares de pessoas na capital paulista e contou com a presença de diversos nomes da política nacional.

Entre os participantes estavam o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito paulistano Ricardo Nunes (MDB). Os políticos acompanharam parte da caminhada em um trio elétrico que percorreu o trajeto entre a região central e a Zona Norte da cidade, onde ocorreram shows gospel e momentos de oração ao longo do dia.

Na ausência do presidente, coube a Jorge Messias transmitir a mensagem do Palácio do Planalto ao público evangélico. Durante o evento, o ministro afirmou que Lula o orientou a levar uma “mensagem de amor, comunhão e respeito”, ressaltando que a Marcha para Jesus não deveria ser “transformada em palco de comícios ou disputas partidárias”.

A participação de Messias ocorreu em um momento em que o governo busca ampliar o diálogo com lideranças evangélicas, segmento no qual Lula enfrenta resistência. Diácono da Igreja Batista e um dos poucos integrantes declaradamente evangélico do primeiro escalão do governo, o advogado-geral da União voltou a defender a aproximação entre diferentes correntes políticas e religiosas.

Além de representar o presidente, Messias também comentou a possibilidade de voltar a ser indicado por Lula para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro afirmou que encara o tema com serenidade e que aguarda a decisão do presidente. Seu nome chegou a ser analisado pelo Senado neste ano, mas acabou não sendo aprovado.

Sem citar diretamente parlamentares ou partidos, o chefe da AGU criticou o que classificou como “excessiva politização” do debate em torno de sua candidatura ao Supremo. Segundo ele, a discussão se afastou dos aspectos técnicos e institucionais para se concentrar na disputa política. Apesar disso, destacou que respeita o resultado e mantém confiança nas instituições democráticas.

Ao longo de sua passagem pela Marcha para Jesus, Messias também recorreu a referências religiosas para defender uma agenda de reconciliação nacional. O ministro afirmou que o país precisa superar divisões e fortalecer valores como perdão, diálogo e convivência entre diferentes grupos da sociedade.

A posição do representante de Lula contrasta com o tom adotado por alguns dos adversários do presidente durante o evento. Em uma breve fala ao público, Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil vive uma "guerra espiritual" e declarou que o "mal" será retirado do comando do país, em referência ao atual governo.

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Criada na década de 1990 e transformada em data oficial do calendário nacional por lei sancionada pelo próprio Lula em 2009, a Marcha para Jesus se consolidou como um dos principais eventos do segmento evangélico brasileiro. (Com informações de Folhapress)

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