Lula evita Marcha para Jesus e diz que não quer misturar fé e eleição
Presidente justificou ausência no evento evangélico em São Paulo alegando que não deseja transmitir imagem de uso político da religião
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) optou por não participar da Marcha para Jesus realizada nesta quinta-feira (4/6), em São Paulo, e afirmou que tomou a decisão para evitar que sua presença fosse interpretada como uma tentativa de “obter ganhos políticos a partir da fé”. A justificativa foi apresentada durante uma conversa com o bispo Estevam Hernandes, um dos organizadores do evento, e com o advogado-geral da União, Jorge Messias, publicada nas redes sociais.
"Eu vou lhe contar porque eu não vou. Eu não participo de nada religioso em época de eleição porque eu não quero passar a ideia de que estou tentando tirar proveito político de uma coisa sagrada", disse Lula. Pré-candidato à reeleição, o petista ficou fora de um dos maiores encontros evangélicos do país, que reuniu milhares de pessoas na capital paulista e contou com a presença de diversos nomes da política nacional.
Entre os participantes estavam o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito paulistano Ricardo Nunes (MDB). Os políticos acompanharam parte da caminhada em um trio elétrico que percorreu o trajeto entre a região central e a Zona Norte da cidade, onde ocorreram shows gospel e momentos de oração ao longo do dia.
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Na ausência do presidente, coube a Jorge Messias transmitir a mensagem do Palácio do Planalto ao público evangélico. Durante o evento, o ministro afirmou que Lula o orientou a levar uma “mensagem de amor, comunhão e respeito”, ressaltando que a Marcha para Jesus não deveria ser “transformada em palco de comícios ou disputas partidárias”.
A participação de Messias ocorreu em um momento em que o governo busca ampliar o diálogo com lideranças evangélicas, segmento no qual Lula enfrenta resistência. Diácono da Igreja Batista e um dos poucos integrantes declaradamente evangélico do primeiro escalão do governo, o advogado-geral da União voltou a defender a aproximação entre diferentes correntes políticas e religiosas.
Além de representar o presidente, Messias também comentou a possibilidade de voltar a ser indicado por Lula para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro afirmou que encara o tema com serenidade e que aguarda a decisão do presidente. Seu nome chegou a ser analisado pelo Senado neste ano, mas acabou não sendo aprovado.
Sem citar diretamente parlamentares ou partidos, o chefe da AGU criticou o que classificou como “excessiva politização” do debate em torno de sua candidatura ao Supremo. Segundo ele, a discussão se afastou dos aspectos técnicos e institucionais para se concentrar na disputa política. Apesar disso, destacou que respeita o resultado e mantém confiança nas instituições democráticas.
Ao longo de sua passagem pela Marcha para Jesus, Messias também recorreu a referências religiosas para defender uma agenda de reconciliação nacional. O ministro afirmou que o país precisa superar divisões e fortalecer valores como perdão, diálogo e convivência entre diferentes grupos da sociedade.
A posição do representante de Lula contrasta com o tom adotado por alguns dos adversários do presidente durante o evento. Em uma breve fala ao público, Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil vive uma "guerra espiritual" e declarou que o "mal" será retirado do comando do país, em referência ao atual governo.
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Criada na década de 1990 e transformada em data oficial do calendário nacional por lei sancionada pelo próprio Lula em 2009, a Marcha para Jesus se consolidou como um dos principais eventos do segmento evangélico brasileiro. (Com informações de Folhapress)