O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), afirmou que irá propor redestinar os recursos previstos para a construção do Rodoanel da Região Metropolitana de Belo Horizonte para a ampliação do metrô da capital, caso o impasse judicial envolvendo o empreendimento não seja resolvido até o meio do ano.

A declaração foi dada durante participação no programa "EM Minas", da TV Alterosa, em parceria com o Estado de Minas, exibido neste sábado (30/5). A entrevista também está disponível no canal do Portal Uai, no YouTube.

Ao comentar a situação da infraestrutura viária no estado, Simões dividiu os desafios em três frentes: as rodovias estaduais, as estradas federais e o trânsito em Belo Horizonte. Segundo ele, o governo estadual já recuperou 6 mil quilômetros de rodovias entre os 9 mil quilômetros considerados em situação crítica de trafegabilidade, mas ainda restam 3 mil que precisam de investimentos.

O governador também criticou a situação das rodovias federais que cortam Minas Gerais, citando as BRs 040, 381, 251 e 116. De acordo com ele, o governo federal tem sido “muito deficitário” nos investimentos nessas vias e afirmou esperar que as novas concessões avancem com as obras previstas.

Sobre Belo Horizonte, Simões apontou o Anel Rodoviário como um dos principais problemas de mobilidade da capital e voltou a defender a construção do Rodoanel como solução para retirar o tráfego pesado da região urbana.

“O Anel Rodoviário é um problema grave. Temos a solução dada pelo governo do estado, uma obra de R$ 11 bilhões, que é a construção do Rodoanel, mas ela está parada por conta de um imbróglio jurídico inaceitável”, afirmou.

Na sequência, o governador disse que poderá rever a destinação dos recursos caso a obra continue travada judicialmente. “Espero que a Justiça Federal libere essa obra até o meio do ano. Se isso não acontecer, vou começar a propor que a gente redestine esse dinheiro, que é do desastre de Brumadinho, para, por exemplo, a ampliação do metrô”, declarou.

Simões também criticou as exigências de consultas relacionadas às comunidades quilombolas impactadas pelo projeto. “Não tem cabimento a gente ficar esperando porque tem que ficar fazendo consulta a não sei quantos mil quilombolas”, disse.

Imbróglio

Simões se refere às ações judiciais que travam o início das obras do Rodoanel, em especial a uma consulta prévia às comunidades quilombolas que seriam afetadas pelo traçado da rodovia, enquanto a outra seria para definir quais comunidades devem ser consultadas.

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A Federação Quilombola diz que há mais de 130 povos que devem ser ouvidos. O governador diz acreditar que essa é uma tentativa de inviabilizar as consultas e, consequentemente, as obras do Rodoanel.

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