A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira (15/5) a Operação Veredas Gerais em Bonito de Minas, no Norte do estado, com objetivo de apurar possíveis crimes eleitorais que teriam sido cometidos no município na eleição de 2024.
Foram cumpridos na cidade dois mandados de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG), tendo como alvo o prefeito interino do município, Miquéias Figueiredo (Republicanos).
A ação da PF foi desencadeada no momento em que ocorre campanha para nova eleição para a prefeitura, marcada para o dia 21 de junho e que tem como um dos candidatos o prefeito interino. Ele concorre contra Joao Neto (Podemos).
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Miquéias foi eleito vereador e assumiu como prefeito interino em 1º de janeiro de 2023, quando foi escolhido presidente da Câmara Municipal, tendo em vista que o candidato mais votado na disputa da chefia do executivo na eleição de 2024, Nilson de Senhorinha (União Brasil), foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ficou impedido de ser empossado. O motivo da decisão do TSE, ocorrida em dezembro de 2024, foi uma condenação por abuso de poder político nas eleições de 2020.
Nilson Senhoria recorreu da decisão. Mas, em fevereiro deste ano, o plenário do TSE, por unanimidade, negou o recurso. Após a decisão definitiva do TSE em março desse ano, o órgão marcou as eleições suplementares em Bonito de Minas para 21 de junho, mantendo Miquéias como prefeito interino até a realização do novo pleito.
O que é investigado na operação da PF em Bonito de Minas
Conforme a Polícia Federal, a investigação em Bonito de Minas foi iniciada a partir de denúncia sobre supostas práticas de captação ilícita de votos e transporte irregular de eleitores durante as eleições municipais de 2024, envolvendo o atual prefeito interino da cidade.
“De acordo com os elementos apurados até o momento, o investigado teria prometido vantagens a eleitores em troca de votos, além de, supostamente, organizar transporte irregular de eleitores no período eleitoral”, divulgou a Polícia Federal.
Segundo a denúncia, ele teria oferecido materiais de construção no intuito de angariar votos de cinco membros de uma mesma família, residente em uma casa construída de forma precária na zona rural do município, ”que acabou desabando, tempos depois, em decorrência das chuvas, sem que o material prometido fosse entregue”.
A PF informa que também é investigada a denúncia de suposto pagamento ao motorista responsável pelo transporte ilegal de eleitores, “que teria sido orientado, à época, acerca do trajeto que deveria ser percorrido, do veículo a ser utilizado e dos locais de embarque e desembarque dos eleitores transportados irregularmente, visando se furtar à fiscalização das autoridades públicas, ciente de que, se alguém o ligasse aos fatos, a sua candidatura seria cassada”.
Segundo a PF, durante as investigações, já foram apreendidos R$ 55 mil em espécie, celulares e documentos, encaminhados para apreciação para o TRE/MG. Além disso, divulgou a Polícia Federal, "é apurada uma suposta prática de crime de ameaça contra a pessoa responsável pela comunicação dos fatos às autoridades, ocorrência que teria sido registrada já durante o exercício interino do cargo de prefeito municipal”.
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A reportagem tentou ouvir o prefeito interino de Bonito de Minas e alvo da ação da PF, mas não teve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.
