O governador Mateus Simões (PSD) afirmou nesta segunda-feira (11/5) que a Companhia de Energia de Minas Gerais (Cemig) não será privatizada. A declaração foi feita durante a posse do novo presidente da estatal, Alexandre Ramos Peixoto, em Belo Horizonte. “A privatização da Cemig não é um tema na nossa pauta”, afirmou Simões. Segundo ele, a estratégia do governo para a estatal passa pela modernização da gestão e pela melhoria do atendimento ao consumidor. “Nós vamos continuar trabalhando nessa lógica da modernização, que a gente tem feito com um conselho que é absolutamente profissional, não há nenhum político no conselho. Então, a privatização da Cemig não é um tema na nossa pauta”, declarou.


Ele também diferenciou o papel da Cemig em relação à Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), cuja venda segue nos planos do governo. “Neste momento o mais importante é a gente concluir a venda da Copasa e, no caso da Cemig, avançar na qualidade da prestação de serviço para o cliente final. Nossa intenção com a Cemig nunca foi vender para obter algum tipo de dinheiro. Aliás, há algum tempo o governador Zema fala que não havia necessidade de vender a participação (do estado), a gente só precisa modernizar a administração da companhia”, afirmou Simões, se referindo ao seu antecessor, o ex-governador Romeu Zema (Novo), que deixou o cargo, em março deste ano, para disputar a Presidência da República.


Durante sua gestão, Zema enviou para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) um projeto autorizando a venda da estatal de energia, mas ele não chegou a tramitar no parlamento devido à falta de apoio dos deputados. Em entrevista recente, o ex-governador defendeu a venda de todas as estatais federais caso seja eleito presidente da República. Em janeiro deste ano, defendeu também a venda da Cemig, mas disse que a decisão final ficaria com o seu sucessor.


Simões voltou a defender a alienação da empresa de saneamento como medida necessária para o equilíbrio fiscal, já que os recursos da companhia serão usados para o abatimento da dívida de R$ 185 bilhões do estado com o governo federal dentro do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). “Neste momento o mais importante é a gente concluir a venda da Copasa e a Cemig avançar na qualidade da prestação de serviço para o cliente final. Nossa intenção com a Cemig é diferente da Copasa, cujo dinheiro é muito importante para a gente cumprir as obrigações do Propag e fazer os investimentos de infraestrutura e segurança que são obrigatórios. Com a Cemig a intenção nunca foi vender para obter algum tipo de dinheiro”, disse.


O governador também projetou um novo ciclo para a empresa. “Tenho certeza que esse novo capítulo na história da Cemig, com o Alexandre na presidência da companhia, será de muito sucesso. Hoje, Alexandre tem a oportunidade de construir, ao lado do governo do Estado, o futuro de Minas Gerais com a condução dessa companhia, que já é motivo de orgulho para todos nós. Sei que foi uma escolha acertada e que, com trabalho sério e competente, trará ainda mais prosperidade aos mineiros”, declarou o governador. 

Carreira na estatal


Funcionário de carreira da empresa desde 1989, Alexandre Ramos Peixoto assumiu o comando da estatal, no lugar de Reynaldo Passanezi, com a missão de dar continuidade ao processo de expansão da companhia, que prevê um plano de investimentos de R$ 70 bilhões até 2030.


Em seu discurso, o novo presidente ressaltou o peso histórico da estatal e os desafios do setor elétrico. “Assumir a presidência dessa companhia é, antes de tudo, assumir um compromisso com a história e com o futuro. A história de uma empresa que se confunde com o próprio desenvolvimento de Minas Gerais. E o futuro de um estado e de um país que dependem, cada vez mais, de uma energia confiável, acessível, renovável e sustentável, lastreada em inovação, em tecnologia, em processos simples, sérios e, principalmente, seguros”, afirmou.


Engenheiro mecânico de formação, Alexandre Peixoto já passou pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Na Cemig, foi diretor de Regulação e Relações Institucionais. Foi nesse posto que coordenou, em articulação com o MME, a concepção de soluções regulatórias emergenciais durante a pandemia de COVID-19, iniciativas posteriormente adotadas em escala nacional e reconhecidas como referência para o setor elétrico brasileiro.


Desde 2023, ele preside o Conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), onde foi um dos protagonistas da expansão da abertura do mercado livre de energia ao setor varejista, implementada a partir de 2024, e atuou na evolução dos mecanismos de segurança e da governança institucional do próprio conselho.

Apoio federal


O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, elogiou a escolha do novo presidente da Cemig e destacou o perfil técnico e a experiência do profissional para assumir o comando da estatal mineira. Segundo o ministro, o novo dirigente é profissional com trajetória consolidada no setor elétrico e forte capacidade de articulação institucional. Silveira ressaltou, ainda, a atuação do executivo à frente da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, onde teve papel relevante dentro do ecossistema energético nacional.

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Em declaração publicada nas redes sociais, o ministro afirmou que a escolha reforça o compromisso com uma gestão qualificada e alinhada às diretrizes do governo federal para o setor. Silveira garantiu apoio à nova gestão e afirmou que o trabalho à frente da Cemig será fundamental para o desenvolvimento de Minas Gerais. “Seu trabalho na CEMIG conta com o nosso apoio e será fundamental para o desenvolvimento de nossa Minas Gerais, levando força para o campo, em especial em regiões de produção agrícola, nossa grande vocação". 

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