Apostas para Flávio vencer Lula despencam após áudio vazado com Vorcaro
Senador estava liderando especulação no site "Polymarket" até a tarde desta quarta-feira
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Após o vazamento de conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, as apostas pela vitória do “01” sobre Lula (PT) na eleição presidencial deste ano despencaram no site "Polymarket".
Polymarket é o principal site do chamado “mercado de previsão”, em que é possível comprar “ações” (contratos) para apostar em eventos da vida real, como a eleição para a Presidência da República. O site está bloqueado no Brasil desde o mês passado por desconfiança do Ministério da Fazenda das garantias de integridade da plataforma.
Fora do país, o Polymarket faz sucesso, e o site pode ser acessado do Brasil por meio do uso de um VPN. Apoiadores de Flávio, como o seu irmão Eduardo Bolsonaro, vinham celebrando o aumento nas apostas para ele bater Lula em outubro, chegando a 45% dos apostadores contra 38% do petista na última semana.
'Ações' de Flávio despencam
Nesta quarta-feira (13/5), entretanto, um vazamento do The Intercept Brasil mudou o panorama. O site divulgou conversas de Flávio com Vorcaro, incluindo um áudio em que o senador pede a doação de R$ 134 milhões para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em menos de duas horas, logo após a divulgação da matéria, as apostas em Flávio Bolsonaro despencaram de 48,2% para 23%. Por outro lado, Lula chegou a bater 51%. Quem também se beneficiou com a queda de Flávio foi o ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo), que saiu de 3,6% e superou os 12%, aparecendo como possível alternativa da direita.
No momento da publicação desta matéria, Lula liderava com 46%; Flávio aparecia em segundo com 26,9%; Zema em terceiro com 12,2%; e Renan Santos (Missão) na quarta colocação, com 6,6%.
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Conversa de Flávio Bolsonaro e Vorcaro
O diálogo vazado mostra Flávio cobrando um montante de R$ 134 milhões de Daniel Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”, em homenagem a Jair Bolsonaro e estrelado pelo ator estadunidense Jim Caviezel.
Em uma das mensagens, enviada em 16 de novembro do ano passado, um dia antes de Vorcaro ser preso pela Polícia Federal, o senador chama o banqueiro de “irmão” e diz que estará sempre com ele. Veja a íntegra da transcrição do áudio abaixo.
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“Irmão, eu preferi te mandar o áudio aqui pra você ouvir com calma. Bom, aqui a gente tá passando por um dos momentos mais difíceis da nossa vida, né? Não sei como é que vai ser daqui pra frente, como é que isso tudo vai acabar, mas tá na mão de Deus aí. E você também, eu sei que você tá passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda. Você sem saber exatamente como é que vai caminhar isso tudo. E apesar de você ter dado liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá? Mas, enfim, é porque tá num momento muito decisivo aqui do filme. E como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso. E eu fico preocupado aqui com o efeito ao contrário do que a gente sonhou pro filme, né? Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, no Cyrus, os caras renomadíssimos, lá no cinema americano mundial. Ia ser muito ruim todo o efeito positivo que a gente tem certeza que vai vir com esse filme. Pode ter o efeito elevado a menos um aí cara. Então, se você puder me dar um toque, uma posição ainda, porque a gente precisa saber o que faz cara da vida, porque eu já tenho muita conta pra pagar esse mês, e o mês seguinte também, e agora que é a reta final, que a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo cara, tudo contrato, perde ator, perde diretor, perde equipe, perde tudo. Podemos dar um toque aí irmão, desculpa o áudio não aguentar, um abração, fica com Deus cara."