Messias cogita deixar o governo após rejeição em sabatina, e Lula pede que ele fique
Titular da AGU teria que se relacionar com os que articularam rejeição de seu nome para o STF
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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Ministro-chefe da AGU (Advocacia Geral da União), Jorge Messias, admitiu a aliados que cogita entregar o cargo após a rejeição de seu nome para o STF (Supremo Tribunal Federal). No fim da noite de quarta-feira (29), ainda sob impacto da derrota no plenário do Senado, ele manifestou, em mensagens, a intenção de sair da Esplanada.
Abalado com a derrota, o ministro sinalizou essa possibilidade ao próprio presidente Lula (PT) durante reunião no Palácio do Alvorada. Mas, segundo relatos, Lula insistiu por sua permanência na gestão, sugerindo que não tomasse qualquer decisão precipitada.
Entre colaboradores de Lula, cresce uma torcida para que Messias assuma o Ministério da Justiça. Essa seria uma demonstração de reconhecimento de seu trabalho à frente da AGU e uma resposta a quem votou contra sua nomeação no STF.
Em conversas, Messias disse que um sonho foi destruído por senadores. Ele afirmou que, embora não tenha pedido para ser indicado, apresentou seu nome de maneira respeitosa. O ministro falou ainda que, apesar dessa conduta, enfrentou uma campanha difamatória por cinco meses.
Ele também se ressente de uma falta de apoio de integrantes do PT, alguns deles defensores de outros nomes para o tribunal.
Nessas conversas, interlocutores de Messias sugeriram que ele reflita com calma sobre seu futuro. Mas reconhecem que um dos obstáculos para sua permanência na AGU seria a necessidade de negociar com autoridades que articularam sua derrota.
Na avaliação de aliados de Messias, os ministros do STF Alexandre de Moraes e Flávio Dino estão entre os opositores de sua nomeação, além do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Alcolumbre queria que Pacheco tivesse sido indicado, afastou-se do governo depois de Lula optar por Messias e passou a trabalhar contra o escolhido do presidente da República. Quando buscava votos, Messias disse em conversas reservadas com senadores que não podia ser penalizado por um desentendimento entre Lula e Alcolumbre.
Senadores relataram ter recebido pedidos diretos do presidente da Casa para votarem contra a indicação do advogado-geral da União.
Na noite de quarta, após a abertura do painel do Senado mostrar o resultado da votação, Messias disse a aliados que entrará para a história como o único rejeitado para o cargo em mais de cem anos.
O indicado de Lula precisava de ao menos 41 votos favoráveis no Senado, maioria absoluta, mas obteve apenas 34. Foi a primeira vez que o Legislativo barrou um indicado do presidente da República para a Suprema Corte desde 1894.
Logo depois da derrota, o governo Lula começou a mapear as traições que culminaram na rejeição de Messias. A estimativa dos aliados do petista era de que haveria cerca de 45 votos favoráveis.
A quinta (30) foi marcada por mal-estar entre aliados e por um clima geral de desconfiança. Na véspera, durante reunião na residência oficial da Presidência logo após o fim da votação, integrantes do governo e aliados identificaram votos contrários no MDB e no PSD, em um conluio conduzido por Alcolumbre.
No dia seguinte, porém, dirigentes do MDB fizeram chegar à Presidência que o partido apoiou a escolha de Messias e que a única dissidência no partido foi a da senadora Ivete da Silveira (SC), suplente do governador bolsonarista Jorginho Mello (PL).
Lula tem o direito de indicar um novo nome para o Supremo, que também precisará ser deliberado pelo Senado. Alcolumbre, porém, prometeu à oposição que a indicação caberá a quem vencer a eleição presidencial e que não colocará em votação outro nome indicado por Lula antes da eleição.
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O petista atualmente aparece empatado nas pesquisas de intenção de voto para segundo turno com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).