Para o deputado federal Rogério Correia (PT-MG), o palanque para o presidente Lula (PT) em Minas Gerais deve ser com uma coligação ampla em torno do senador Rodrigo Pacheco (PSB), já tratado por ele como oficialmente o pré-candidato ao governo. No entanto, o petista não admite espaço para o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) na chapa.
Em entrevista ao Estado de Minas, Correia explicou que a estratégia para derrotar o bolsonarismo em diversos estados será trabalhar com articulações amplas no espectro político. Ele citou o exemplo do apoio de Lula a Eduardo Paes (PSD) ao governo do Rio de Janeiro, a Simone Tebet (PSB) e a Marina Silva (Rede) ao Senado em São Paulo.
Aécio na chapa de Pacheco?
Questionado se a chapa em Minas poderia contar com Aécio, o deputado foi categórico: “Nenhum [espaço]. Acho que o Aécio foi um dos principais responsáveis pelo golpe que levou o Bolsonaro à Presidência. Quando ele não reconheceu o resultado da derrota para Dilma, se juntou com Eduardo Cunha e Temer. Foram os responsáveis por articular todo esse golpe que levou ao bolsonarismo, levou a um governo pré-fascista, que só não foi pior porque nós conseguimos resistir”.
O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos), inclusive, é pré-candidato a deputado federal por Minas, apesar de ser carioca e ter construído toda a carreira política pelo Rio de Janeiro. “Tomara que tenha zero voto, que é o que ele merece”, disparou Rogério Correia.
“O bolsonarismo é uma vertente fascista. E o Aécio Neves é um irresponsável. Até hoje flerta com isso. Acho que não tem espaço nenhum para ele entrar nessa chapa. Seria uma declaração de guerra ao PT”, completou. Também disse acreditar que a possibilidade de compor com o ex-governador “não está posta também para o Rodrigo Pacheco”.
Aécio é cotado como possível candidato ao Senado Federal e, nos bastidores, circula a chance de uma aliança com Pacheco. A única pré-candidata ao Senado na chapa por enquanto (neste ano, cada estado elege dois nomes à Câmara Alta), Marília Campos (PT), admitiu a possibilidade de uma composição com o PSDB, afirmando que o nome de Aécio “cabe” na chapa.
Correia avaliou a fala da ex-prefeita de Contagem como uma “certa escorregada”: “Eu vi essa declaração dela, mas não é o pensamento majoritário do PT, não é o pensamento da nossa presidenta Leninha. Quem é candidato gosta muito de ser amplo, mas no caso do Aécio Neves, essa amplitude nos leva a não ter uma base mais firme de posições políticas, que precisamos ter”.
Uma possibilidade de composição admitida pelo deputado é lançar ao Senado o ex-prefeito de Belo Horizonte e ex-presidente do Atlético Alexandre Kalil (PDT), que, ao menos por enquanto, é pré-candidato ao governo. “Numa composição do Senado, poderia ser ideal para nós uma composição com o Kalil. Teríamos uma chapa ampla, plural, com candidatos que têm respaldo popular e têm a luta pela democracia como centro”.
Rogério Correia adiantou que a posição de vice-governador na chapa de Pacheco também está sendo negociada para garantir amplitude, mas não citou quais são os nomes cotados. “Ampliar a votação do presidente Lula em Minas é importante porque aqui tem um resumo do Brasil. E estou muito otimista em relação a isso. Eu acho que o presidente Lula vai ter um bom palanque em Minas”, disse.
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CPMI do INSS e Banco Master
O mineiro foi o principal nome da esquerda na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apurou as fraudes no INSS. Até comprou briga com o presidente da CPMI, o senador Carlos Viana (PSD-MG), o acusando de barrar investigações importantes e fraudar uma eleição para quebrar o sigilo de Lulinha, filho do presidente Lula.
Correia avalia que a comissão foi desvirtuada por interesses políticos: “Os bolsonaristas tentaram fazer da CPMI uma peça que incriminasse o presidente Lula, o irmão do presidente Lula e o filho do presidente Lula. Eu acho que eles fizeram uma peça de ficção, uma peça ideológica, política, sem fundamentos”.
Por outro lado, destacou trabalhos importantes na investigação, que apurou fraudes que levaram a um rombo de cerca de R$ 6,5 bilhões na previdência desde 2016. Citou a prisão de diversos envolvidos nos chamados descontos associativos e falou sobre a parte final da CPMI, que tratou dos créditos consignados e abriu espaço para discutir sobre o caso do Banco Master, que pode ser alvo de uma CPI específica em breve.
Entretanto, Correia aponta para o risco da repetição da contaminação do uso político das discussões em uma possível CPI do Master, sobretudo em um ano eleitoral, embora já tenha assinado dois processos para abertura de comissões sobre as fraudes do banco. “Eu creio que agora uma CPI se daria muito mais com objetivos de disputa política e ideológica do que para averiguar realmente esse caso. Acho que o fundamental é fazer com que essa investigação vá a fundo por parte da Polícia Federal, da Controladoria Geral da União e do próprio Supremo Tribunal Federal, que está com esse caso”.
Correia criticou as propostas de abertura de CPI que partem dos parlamentares bolsonaristas, que têm como alvo as suspeitas de favorecimento de ministros do STF ao Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro. O deputado disse que o grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) quer apenas desmoralizar as instituições.
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“Eles atacam o Supremo não pelas falhas eventuais que o Supremo possa ter, mas pela força que o Supremo teve na defesa do sistema democrático, inclusive com a prisão de Bolsonaro”, argumentou. Correia disse não concordar com parentes de ministros atuando em casos da Corte, mas afirmou que “isso é antigo”: “Acho que tem que haver, sim, uma regra mais clara sobre isso, uma maior moralidade nisso, embora ilegalidade não tenha”.
