Em nova agenda em Belo Horizonte, desta vez no Mercado Central, o pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), reforçou o discurso de se apresentar como alternativa à polarização política, sem, no entanto, romper pontes com aliados que disputam o mesmo campo ideológico. Ao comentar a relação com o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), também pré-candidato ao Planalto, Caiado evitou qualquer sinal de confronto e tratou a coexistência das candidaturas como parte de uma estratégia de enfrentamento ao que classifica como “tentativa de fechamento” do debate eleitoral.

“Cada um deve colocar o seu nome. O que não deve fazer é tentar destruir candidaturas no primeiro turno para manter a polarização”, afirmou. Segundo ele, tanto sua candidatura quanto a de Zema cumprem um papel semelhante: ampliar o leque de opções ao eleitor e impedir que a disputa presidencial se restrinja aos polos já consolidados. “O que eles queriam era manter apenas dois nomes. Nós rompemos isso”, disse.

Ao mesmo tempo em que disputa espaço no campo da direita, Caiado evita transformar adversários potenciais em alvos, preservando a possibilidade de alianças futuras. Questionado sobre uma eventual chapa conjunta com Zema, negou ter descartado essa hipótese, mas reforçou que o momento ainda é de apresentação individual das candidaturas. “Ninguém tem essa condição de descartar quem quer que seja”, pontuou. 

Apesar do tom conciliador, o ex-governador de Goiás afirmou que, independentemente de quem avance ao segundo turno, a direita teria vantagem sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Quem chegar no segundo turno ganha do Lula. Fácil. Lula está batido”, declarou. “O maior desafio não é ganhar. Nós já ganhamos em 2018 e depois o PT voltou em 2022. O desafio é saber entregar o que a população espera”, completou.

Ao ser provocado a apontar diferenças em relação a Zema, Caiado evitou comparações e preferiu adotar um discurso institucional. Disse que cabe ao eleitor fazer essa distinção, a partir do desempenho de cada candidato em debates e entrevistas. “Não cabe ao candidato dizer o que ele tem de diferente. Quem define é o eleitor”, afirmou.

Mesmo assim, delineou indiretamente o perfil que pretende projetar: alguém com experiência administrativa e capacidade de articulação entre os Poderes. “Não se aprende a governar na cadeira da Presidência”, disse, ao defender que o futuro presidente precisa conhecer o funcionamento institucional para evitar conflitos que travem a gestão. “Se você brigar, você não constrói”, resumiu.

Nesse ponto, recorreu novamente ao exemplo de Goiás, onde afirma ter adotado uma estratégia de diálogo permanente com Judiciário, Legislativo e órgãos de controle. Segundo ele, reuniões prolongadas com diferentes instituições foram decisivas para viabilizar entregas em áreas como saúde, educação e infraestrutura. “Eu chamava todos para a mesma sala e ficava ali o tempo que fosse necessário para fazer o acordo”, relatou.

A lista de realizações citadas inclui a construção de hospitais, expansão da malha rodoviária, reformas em mais de mil escolas e medidas na área de segurança pública. Ao mencionar esse último ponto, uma das bandeiras mais caras ao eleitorado da extrema direita, Caiado voltou a defender uma linha mais dura, destacando ações que, segundo ele, restringiram benefícios a detentos e ampliaram o controle sobre forças policiais.

O discurso também trouxe críticas ao que considera uma agenda política excessivamente concentrada em “temas do passado”, como os processos dos atos de 8 de janeiro, ainda que ele mesmo tenha defendido em entrevistas recentes que um dos seus primeiros atos caso eleito seria “anistiar Bolsonaro”, hoje em prisão domiciliar pela condenação da trama golpista. “Ninguém aguenta mais. Vamos pensar no outro país, no desenvolvimento”, afirmou.

Sem palanque em Minas

Caiado avaliou que, diferentemente das disputas estaduais, a eleição presidencial tende a ser menos dependente de alianças locais. Segundo ele, o voto para presidente é mais individualizado, especialmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. “O eleitor escolhe independente do palanque”, disse.

Essa análise ajuda a explicar a postura do PSD, partido de Caiado, que convive com alianças diversas nos estados. Em Minas Gerais, por exemplo, o governador Mateus Simões (PSD) mantém compromisso político com seu “padrinho”, Zema, enquanto a legenda abriga a pré-candidatura presidencial do próprio Caiado.

Para o goiano, essa aparente contradição não compromete o projeto nacional. “Não tem como engessar a eleição presidencial”, afirmou.

A agenda em Minas Gerais prossegue neste sábado (25/4), com compromissos em Uberaba, no Triângulo Mineiro, em eventos ligados ao agronegócio, setor no qual o pré-candidato busca ampliar sua interlocução e consolidar apoio eleitoral. Lá, o postulante ao Planato deve se reunir com o governador Mateus Simões, o senador Carlos Viana e o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, além da prefeita Elisa Araújo. A programação inclui ainda encontros com prefeitos e outras lideranças políticas da região.

Presente na agenda no Mercado Central, o presidente estadual do PSD, deputado Cássio Soares, também afastou a leitura de divergências dentro do partido. “Essa situação está muito clara: o governador Mateus Simões tem um compromisso com o ex-governador Romeu Zema, e o Caiado sabe disso. O partido está ciente desde a filiação do Mateus ao PSD, mas nem por isso são candidaturas conflitantes”, afirmou.

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Ele avalia que a presença simultânea de lideranças em torno da agenda reforça o protagonismo do partido no cenário nacional. “O Caiado está sendo recebido em Minas por ser uma pessoa preparada para disputar a Presidência. Tenho certeza de que, se eleito, vai conduzir o país com pacificação e entrega de resultados, fugindo de debates menos relevantes”, completou.

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