Zuzu Angel: a mãe que enfrentou a ditadura e foi morta
Nascida Zuleika Angel Jones, construiu, a partir dos anos 1960, um nome sólido na moda ao romper com padrões importados e afirmar uma linguagem própria
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Antígona, personagem de Sófocles escrita há mais de dois mil anos, desafia o poder para garantir ao irmão o direito de não desaparecer na morte. A tragédia atravessa o tempo. No Brasil da ditadura militar, ela assume outra forma: Zuzu Angel transforma a busca pelo filho desaparecido em denúncia pública contra o Estado.
Até então, sua trajetória era outra. Nascida Zuleika Angel Jones, construiu, a partir dos anos 1960, um nome sólido na moda ao romper com padrões importados e afirmar uma linguagem própria. Bordados, rendas, referências brasileiras, havia identidade. Do ateliê no Rio de Janeiro, seu trabalho alcançou vitrines e passarelas de Nova York, espaço raro para estilistas do país. Era reconhecida, celebrada, respeitada.
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Tudo muda com o desaparecimento do filho, Stuart Angel, estudante de economia e atleta do Flamengo, preso pelos órgãos de repressão. A partir daí, não há retorno. Zuzu abandona o caminho previsível e assume outro papel. Escreve cartas, pressiona autoridades, leva denúncias para o exterior. Nos desfiles, incorpora símbolos da violência e transforma a moda em linguagem política. Expõe, em plena Guerra Fria, aquilo que o regime insistia em ocultar.
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Essa virada redefine sua existência: da estilista que vestia o Brasil à mulher que confrontou o Estado. Uma trajetória marcada por ruptura, insistência e coragem, e que ainda hoje impõe um incômodo: até onde o silêncio consegue apagar uma história?