FOLHAPRESS - Diferentemente da situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) quando ficou preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, está em uma cela comum com cama, banheiro e cercada por grades.
Bolsonaro, por sua vez, permaneceu em uma sala de Estado, sem grades, equipada com banheiro, armários, televisão e frigobar. O espaço é reservado a autoridades por lei, como ex-presidentes.
Vorcaro foi transferido nessa quinta-feira (19/3) do Presídio Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal, para discutir os termos de sua delação premiada.
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A decisão foi tomada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que relata o inquérito sobre irregularidades relacionadas à instituição financeira, a pedido da defesa de Vorcaro. Ele foi transferido de helicóptero. O ex-presidente Jair Bolsonaro também ficou preso na Superintendência até janeiro deste ano, quando foi transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar, área conhecida como Papudinha.
Daniel Vorcaro
Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro, quando tentava embarcar para o exterior, no aeroporto de Guarulhos. A PF desconfia que ele tentava fugir do país, mas ele argumenta que viajaria para encontrar investidores interessados em comprar o Banco Master.
Ele foi solto dez dias depois e voltou a ser preso em 4 de março deste ano, em fase da operação policial Compliance Zero que também atingiu servidores do Banco Central.
Na última semana, ele anunciou uma troca na sua defesa, e substabeleceu procuração para o advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca.
Juca já conduziu delações premiadas delicadas, como a do ex-presidente da OAS Leo Pinheiro na Operação Lava Jato.
O advogado também teve como cliente o ex-ministro José Dirceu na época do escândalo do mensalão, em 2012, e representou o general Braga Netto, ex-ministro de Bolsonaro, no processo da tentativa de golpe de Estado no Brasil.
Eventual acordo
Segundo a coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, Vorcaro não pretende envolver ministros do Supremo em um eventual acordo relacionado ao Master e tem dito que fará isso apenas se for inevitável.
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Liquidado pela autoridade monetária em novembro, o Banco Master já causou perdas de mais de R$ 50 bilhões a diferentes entidades, incluindo o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e fundos de pensão.
