O vice-governador Mateus Simões (PSD) já tem nomes do partido Novo com possibilidade de ser seu companheiro de chapa para a disputa do governo do estado: o ex-deputado Tiago Mitraud, a vereadora de Belo Horizonte Fernanda Altoé e o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, irmão do senador Cleitinho (Republicanos). “São três nomes que o Novo coloca. Pode ser qualquer um dos três, seria um ótimo vice”, afirmou Mateus Simões. Ele assumirá a chefia do Executivo estadual no próximo dia 22, quando o governador Romeu Zema (Novo) deixará o cargo para concorrer à Presidência da República.
Em entrevista exclusiva ao ESTADO DE MINAS, nesta sexta-feira (6/3), em Montes Claros, no Norte do estado. onde participou de cerimônia de liberação de recursos estaduais ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), Simões negou qualquer possibilidade de rompimento com Romeu Zema caso o Novo não indique o seu candidato a vice, como chegou a ser especulado nos últimos dias.
Leia: Caporezzo acusa Simões e Zema de usarem a policia para 'autopromoção'
“Mas se o governador (Zema) decidir que o nome é outro, eu tenho confiança na escolha do governador, porque o governador me escolheu. Se eu não confiar no jeito que me escolheu, aí tem uma coisa errada”, afirmou. Simões diz que se o senador Cleitinho insistir em também concorrer ao Executivo estadual, vai dividir o campo da direita em Minas. Nesse sentido, disse que espera uma reflexão do senador do Republicanos. “Eu tenho a expectativa de que o senador Cleitinho tem a responsabilidade e a sensibilidade de entender que eu e ele candidatos ao mesmo tempo significa a possibilidade da esquerda ir para o segundo turno. E que isso seria ruim”, declarou. “Tenho a expectativa de que lá para maio, o senador (Cleitinho) vai chegar nessa conclusão que eu acho que a maior parte da direita já chegou, que a gente devia caminhar juntos”, completou.
Leia: Simões tira o partido Novo da comunicação de Zema
Como o senhor, do PSD, vai juntar o deputado Nikolas Ferreira (PL) e o governador Romeu Zema (Novo), nomes de outros partidos, no seu palanque?
Eu tenho já montado, de saída, um grupo de nove partidos. Nas conversas com o PL, a gente sempre ficou com o Nikolas. Isso significa que a gente trabalha junto há muito tempo. A gente estar junto ou não talvez dependa menos de uma vontade local, porque somos muito alinhados, depende mais da conjuntura nacional. Quem acha que só se resolve lá para maio, junho? Eu tenho uma expectativa, tenho falado isso para o Nikolas, para o (deputado federal) Domingos Sávio (presidente estadual do PL), também para Valdemar (Costa Neto), que não há nenhuma dificuldade em a gente estar aqui todos juntos no palanque em Minas. O PL, inclusive, e o Flávio Bolsonaro e o Zema serem candidatos à Presidência da República. Não vai ser a primeira vez que Minas terá palanque misto, certamente não será a última. É o cumprimento de uma determinação do presidente Bolsonaro, que falou lá atrás que era melhor que a gente tivesse mais candidatos da direita para ter certeza de um segundo turno. Então, não vou dizer que estou tranquilo, não estou trabalhando, mas acho que a gente vai ter uma frente ampla de centro-direita em Minas Gerais formada.
O senador Cleitinho anunciou que também será candidato a governador. Como o senhor lida com esta situação?
O senador Cleitinho está no meio de mandato. Toda vez que você tem um senador no meio de mandato, a decisão dele sobre ser candidato ou não, a gente fala na política que é uma decisão barata. Não faz muita diferença para o mandato dele ser candidato ou não ser candidato. Então, muitos senadores falam que o máximo que pode acontecer é "eu ganhei a eleição, eu vou concorrer". Eu tenho a expectativa de que o senador Cleitinho tem a responsabilidade e a sensibilidade de entender que eu e ele candidatos ao mesmo tempo significa a possibilidade da esquerda ir para o segundo turno. E que isso seria ruim. Porque a gente daria para o Lula um palanque em Minas Gerais, o que não faz sentido nenhum. Nós aqui sabemos quanto o PT é perigoso para o Brasil. Então, tenho a expectativa de que também lá para maio, o senador vai chegar nessa conclusão que eu acho que a maior parte da direita já chegou, que a gente devia caminhar juntos.
Leia: Simões sobre greve de professores: 'Cria vergonha na cara, sindicato'
O seu desempenho nas pesquisas é baixo. Como o senhor vai trabalhar essa questão?
Setenta e dois por cento dos mineiros na última pesquisa não sabem em quem vão votar. Dos 28% que sabem, uma parte grande diz que vai votar no Lula para governador e outra que vai votar no Zema para governador, sendo que os dois não são candidatos a governador. Isso significa que as pessoas não estão prestando atenção ainda na eleição. Então, eu estar em primeiro, segundo ou terceiro, ou quem esteja em primeiro, segundo ou terceiro, significa só que na hora que você mostra a lista com os nomes, aí deixa de ser espontânea para ser estimulada, que é quando a pessoa fala o nome que ela lembra. A partir do dia 22 de março, eu me torno governador. Acho que a gente muda um pouco isso, as pessoas entendendo que eu sou o candidato do governador Zema, isso também muda.
Quem vai indicar seu o vice é o governador?
É o governador. Essa decisão é dele. E por isso que ela talvez seja a última decisão a ser tomada.
Quando vai sair esse nome?
Não antes de definir o cenário nacional. Hoje, a gente tem três bons nomes no Novo: o Tiago Mitraud, que foi deputado federal; a Fernanda Altoé, que é vereadora das mais bem votadas de Belo Horizonte; e Gleidson Azevedo, irmão do senador Cleitinho Azevedo, que é do Novo. Então, são três nomes que o Novo coloca. Pode ser qualquer um dos três, seria um ótimo vice. Mas se o governador decidir que o nome é outro, eu tenho confiança na escolha dele.
O senhor está no PSD, que tem uma situação ainda para resolver, por exemplo, quem vai ser o candidato a presidente pelo partido. A sua conversa com a direção nacional do PSD está tranquila em relação a Minas Gerais?
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Está muito tranquila, porque quando o presidente (nacional do partido, Gilberto) Kassab veio a Minas para a minha filiação, ele mesmo anunciou de viva voz o nosso acordo, não precisou nem eu falar no assunto. Em Minas Gerais, o PSD responde à liderança do governador Romeu Zema. E o PSD de Minas, deputados, estaduais e federais e chapa de governador, vai caminhar junto com o Zema, para onde ele caminhar.
