Faltando pouco mais seis meses para o prazo final dado pela Justiça Eleitoral para que os partidos deliberem sobre candidaturas e coligações, o Partido dos Trabalhadores (PT) ainda não sabe quem será o nome apoiado pela legenda para a disputa pelo Palácio Tiradentes. O desejo do PT é que o candidato seja o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD), em uma coligação de centro-esquerda, mas o parlamentar, escanteado pela sua própria sigla, ainda não se decidiu.

A promessa é que ele defina seu rumo até fevereiro. Pacheco, que já titubeou na intenção de disputar o governo, está agora em busca de uma nova legenda que lhe dê sustentação para entrar na disputa pelo comando do estado. Se obtiver sucesso na empreitada, que está a pleno vapor, deve se arriscar.

 

Enquanto isso, o PT, que já governou Minas Gerais, está atrás de um nome para caso não vinguem os planos de Pacheco. A mais nova cartada do partido, que tem uma das maiores bancadas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), é a candidatura da reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Sandra Goulart. No entanto, não há consenso dentro do partido em torno de uma possível candidatura da reitora, vista por alguns petistas como um “excelente quadro”, mas desconhecida pelo eleitorado no geral.

De acordo com um aliado de Pacheco, assim que o nome da reitora passou a ser oficialmente ventilado, ela teria procurado o senador para afirmar que ele terá seu apoio caso seja mesmo candidato. O senador é um dos que mais envia recursos para as instituições de ensino superior no estado, entre elas a UFMG. Em 2023, por iniciativa da reitora e de outros dirigentes de outras universidades, Pacheco foi homenageado pelo Fórum das Instituições Públicas de Ensino Superior do Estado de Minas Gerais (Foripes).

Outros nomes cogitados pelo PT

O PT também já chegou a cogitar outras possibilidades para a disputa como carta na manga caso Pacheco não saia. Já foram ventilados outros nomes do partido, como o da prefeita reeleita de Juiz de Fora, na Zona da Mata, Margarida Salomão (PT), e da ministra dos Direitos Humanos, deputada estadual licenciada Macaé Evaristo (PT). Fora da legenda, Lula já citou, em entrevista exclusiva ao Estado de Minas, o nome do presidente da ALMG, Tadeu Martins Leite (MDB).

E o presidente nacional do PT, Edinho Silva, já teve tratativas com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), que, nas eleições de 2022, disputou o governo de Minas tendo como candidato a vice o então deputado estadual André Quintão, mas perdeu para o governador Romeu Zema (Novo), que se reelegeu no primeiro turno. No entanto, nenhuma das articulações vingou.

Palanque nacional

Apostando em uma disputa presidencial acirrada e em duas etapas, a legenda vive o dilema de não ter ainda hoje um candidato que garanta um palanque para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno das eleições para o Palácio do Planalto. Tanto que Lula ainda não jogou a toalha e insiste na candidatura de Pacheco, que estreita conversas com o União Brasil, com o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

 

Desde a redemocratização, candidatos que conquistaram o governo mineiro ganharam também na votação para o Palácio do Planalto

Leandro Couri/EM/D.A Press – 15/5/24

Pacheco precisa de uma legenda já que seu partido se aliou ao vice-governador Mateus Simões, que deixou o Novo, sigla pela qual foi eleito para seu primeiro cargo eletivo, o de vereador em Belo Horizonte, para se filiar ao PSD e disputar o governo de Minas. Uma conversa entre Lula e Pacheco está marcada para os próximos dias.

A preocupação do presidente com a disputa pelo comando do Executivo mineiro não é gratuita. Além de ser o segundo maior colégio eleitoral do país, Minas é considerado o estado pêndulo das eleições. Desde a redemocratização, com a institucionalização das eleições diretas, os candidatos a presidente que venceram em Minas, ganharam o pleito nacional, com resultados bastante semelhantes aos alcançados no estado.

Dilema para vagas no Senado

O PT também vive um dilema em relação à disputa pelo Senado. Nesse caso, a legenda tem um nome forte, mas ainda não definiu o que pretende fazer, pois aguarda ainda a definição da candidatura ao governo. O nome do partido para esse cargo é o da prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), que governa a cidade, a terceira maior do estado em termos de população, pela quarta vez,tendo sido reeleita em primeiro turno nas eleições passadas.

No entanto, para encarar a disputa, ela exige ser a candidata única do campo da esquerda a uma das duas vagas da bancada mineira no Senado que estarão em disputa este ano.

O PT resiste em bater o martelo nesta exigência, já que a outra vaga de candidato ao Senado pode ser usada como moeda de negociação na formação de uma chapa de centro-esquerda. A prefeita tem que deixar o comando de Contagem até abril, caso queira disputar, mas pode desistir de concorrer diante da indefinição do partido sobre sua exigência, deixando o PT também sem um nome forte para o Senado, casa legislativa que é aposta bolsonarista nas próximas eleições.

Marília lidera as pesquisas para o Senado publicadas até agora. No começo deste mês, o marido da prefeita, Ivair Prata, também filiado ao PT, cobrou do partido uma definição e reforçou a exigência de Marília ser a candidata única, alegando que ela “não pode renunciar à Prefeitura de Contagem para fazer uma “disputa autofágica” por uma das vagas do Senado”.

 

Dobradinha

Um nome cotado para fazer dobradinha com a prefeita é o do ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), também escanteado pelo seu partido, após a filiação de Simões. Em entrevista ao podcast EM Entrevista, do Estado de Minas, o presidente do PSD mineiro, deputado estadual Cassio Soares, um dos principais responsáveis pela articulação que filiou Simões ao partido, disse considerar difícil que Silveira seja candidato ao Senado pelo partido, já que uma das vagas da coligação de Simões já está garantida para o secretário da Casa Civil de Zema, Marcelo Aro (PP) e a outra também deve ser usada para atrair aliados, preferencialmente o PL, legenda cujo apoio é cobiçado pelo vice-governador, que ainda patina nas pesquisas de intenção de voto.

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A definição do PT sobre seus rumos nas eleições deve ocorrer até março ou abril, prazo estabelecido pela presidente da sigla no estado, deputada estadual Leninha, que afirmou que a demora não representa desorganização, mas uma estratégia política alinhada à reeleição de Lula.

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