SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governador de Minas Gerais e pré-candidato a presidente, Romeu Zema (Novo), afirmou nesta quinta-feira (22) ser favorável à aplicação de exames que avaliam médicos recém-formados.

Em evento que o SindHosp, entidade que reúne hospitais e clínicas privadas e laboratórios particulares, promove com os pré-candidatos à Presidência da República, Zema foi questionado sobre a qualidade da formação dos profissionais, em referência à recente avaliação federal aplicada aos concluintes de medicina apontou que 27,3% dos cursos de faculdades particulares têm notas consideradas baixas.

"Eu sou um entusiasta de toda avaliação que mostre a proficiência de alguém, na minha opinião, se o raciocínio da OAB [Ordem dos Advogados do Brasil] se estendesse seria bom, e quando se fala de saúde mais ainda. Um advogado ruim pode causar grandes danos, e médico ruim pode matar", disse. Ele afirmou ainda que existe uma resistência "cultural" nacional contra rankings.

O pré-candidato também foi questionado sobre a distribuição desigual de especialistas por estado, e afirmou que a falta de médicos em alguns locais tinha de ser compensada com um incentivo estatal.

Para a plateia formada em sua maioria por empresários e executivos da área de saúde, o governador, que afirmou que irá renunciar ao cargo até o dia 4 de abril, limite para que possa concorrer à Presidência, fez reverência ao setor, aproveitando a agenda como estratégia para se viabilizar nacionalmente.

Zema falou ainda em favor do investimento na atenção primária à saúde, porta de entrada para o SUS (Sistema Único de Saúde). "Atacar o problema no início quando ainda é pequeno é de mais fácil solução, tanto é que a atenção primária tem recebido todo o foco nosso", disse.

Uma das suas preocupações, acrescentou, é o fato de o país estar "envelhecendo antes de ficar rico", ao contrário da Europa e dos EUA, disse. "Aqui vamos precisar que a saúde fique muito mais eficiente, dar muita atenção porque milhões de pessoas não têm plano de saúde e que vão precisar desse atendimento por parte do estado", afirmou.

Disse ainda ficar "contrariado" quando políticos querem opinar sobre questões científicas. "Existe o campo político e o científico. Você tem que usar quem é da área técnica, somos um governo que escutamos", disse ao setor.

Em 2024, no entanto, Zema apareceu em um vídeo ao lado de parlamentares bolsonaristas afirmando que não iria cobrar cartão de vacinação para matrícula de crianças na rede estadual de ensino. No vídeo, publicado nas redes sociais, Zema aparece ao lado do senador Cleitinho (Republicanos-MG) e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), ambos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, dizendo que, no estado, todo aluno, vacinado ou não, terá acesso à escola.

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Na época, o ministro do STF Alexandre Moraes deu prazo de cinco dias para que o governador se explicasse.

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