Comissão de Segurança Pública da Assembleia discute aumento dos policiais militares -  (crédito: Guilherme Bergamini/ALMG)

Comissão de Segurança Pública da Assembleia discute aumento dos policiais militares

crédito: Guilherme Bergamini/ALMG

Foi tenso o clima da reunião realizada nesta terça-feira (16/4) pela Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que ouviu o comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), coronel Rodrigo Piassi, sobre a política remuneratória de policiais. O comandante tinha sido convidado anteriormente, mas não compareceu nem justificou sua ausência, e a comissão então o convocou sob pena de responsabilização em caso de nova recusa.

 

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Na comissão, o comandante reclamou da postura dos deputados que, segundo ele, incitam os militares a fazer greve por melhoria salarial. Essa postura, segundo Piassi, favorece a indisciplina. O coronel disse ainda não se sentir à vontade em comparecer à comissão na situação de convocado.


Segundo ele, a convocação visa enfraquecer sua autoridade junto à tropa e não ajuda em nada a discussão sobre a política remuneratória da corporação. "Todas as vezes que o comandante geral é enfraquecido o ambiente de indisciplina é montado para eventos futuros."

 

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A Polícia Militar e as forças de segurança, por meio de seus representantes no Legislativo e suas entidades de classe, reivindicam recomposição salarial de 41,6% , referentes a perdas salariais acumuladas desde 2015.


 

Alegando ser filho de cabo da PM e 31 anos de corporação, grande parte deles dedicados, segundo o comandante, a trabalhos operacionais, ele disse que a corporação tem feito o que pode para garantir melhorias para a polícia, especialmente em relação a questões salariais, mas defendeu que essa cobrança recaia sobre os secretários responsáveis pelas finanças do estado.

 

O comandante gastou parte de seu tempo para reclamar especialmente do deputado Caporezzo (PL), que, de acordo com ele, o teria satirizado em vídeos publicados nas redes sociais e tido uma postura "inconveniente" e "inadequada".

 

E reclamou até de um vídeo em que o deputado expõe que ele é integrante da maçonaria, filiação a qual, frisou, sempre exerceu com discrição. “Se não fosse o vídeo do senhor, eu continuaria discreto”, afirmou o comandante que chegou a dizer que em oito anos de carreira na PM Caporezzo teve "menos de dez notas meritórias".


A atuação de Caporezzo foi defendida pelo presidente da comissão, Sargento Rodrigues (PL), que afirmou que uma das principais funções do deputado é "parlar", sinônimo de "conversar" e que deu origem à palavra parlamentar. O deputado disse ainda que é direito de todo cidadão cobrar direitos, especialmente dos deputados, que foram eleitos para isso.


Caporezzo também se defendeu afirmando que sua função como parlamentar é expor os problemas e propor soluções.


Ao citar o Regimento Interno da ALMG, o comandante chegou a questionar se a reunião poderia acontecer sem a presença da maioria dos integrantes da comissão. Disse ainda que não aceitará convites cujo objetivo é atacar o governador ou o comando da PMMG e que só irá a audiências em que tiver tempo para falar.

 

Nesses casos, disse que só vai se for convocado. "Lamento estar aqui", sintetizou Piassi.