A Executiva Nacional do União Brasil se reunirá nesta quarta-feira, na sede do partido, em Brasília, para decidir se afastará o presidente da legenda, o deputado federal Luciano Bivar (PE). O comando da sigla é alvo de disputa entre o parlamentar e o presidente eleito, Antonio Rueda. O embate ganhou novas nuances com os incêndios em duas casas da família Rueda em Ipojuca, no litoral sul de Pernambuco.

 

Um dos principais partidos do país, o União Brasil tem a terceira maior bancada da Câmara, com 59 deputados; conta com uma parcela bilionária do Fundo Partidário; e emplacou três ministros no governo: Juscelino Filho (Comunicações), Celso Sabino (Turismo) e Waldez Góes (Desenvolvimento Regional).

 

Em meio à acirrada disputa para comandar a sigla, os Rueda acreditam que os incêndios foram um "atentado motivado por questões político-partidárias" e apontam Bivar como o principal suspeito. Os políticos concorriam à cadeira da presidência. Em 29 de fevereiro, os integrantes do partido decidiram por unanimidade que Rueda deve assumir o cargo. A atual gestão termina em 31 de maio.



"Desde 26 de fevereiro, uma série de ameaças têm sido perpetradas por parte do deputado Luciano Bivar contra Antonio Rueda. Esse cenário de disputa inicial se dá em um contexto de disputa partidária. E, num primeiro momento, há a gravação que mostra que o deputado Bivar ameaça diretamente Antonio Rueda e seus familiares", afirmou o advogado de Rueda, Paulo Catta Preta. "No dia 28 de fevereiro, um dia antes da convenção partidária (eleição), comunicamos a existência dessa gravação à Polícia Civil do Distrito Federal."

 

A denúncia, anterior ao incêndio, foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), por haver parlamentares envolvidos, mas ainda não foi analisada. O advogado informou que vai incluir a investigação do incêndio no pedido ao Supremo. "Embora não se possa assegurar a autoria do incêndio, naturalmente a suspeita inicial vai ser de quem vem ameaçando, há 10 dias, a vítima", afirmou Catta Preta.

 

Bivar, por sua vez, negou relação com os incêndios. "Tudo é ilação, é mais um factoide. O que tenho conhecimento é que eram duas casas antigas, que estavam com estruturas físicas comprometidas, e acho que caberia investigar se tinha seguro para esses danos e se houve incêndio", frisou, em evento no Palácio do Planalto.

 

Ele também refutou ter ameaçado o rival. "Não existe nenhuma ameaça velada. Mesmo porque, homem não ameaça, homem faz", acrescentou, dizendo que houve ameaças à sua família.

 

O deputado rebateu o adversário também com acusações. "A mulher do presidente (Rueda) foi ao meu apartamento e roubou meu cofre. Eu tinha um valor significativo."

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O parlamentar sustentou que a eleição da legenda que consagrou Rueda foi "fajuta". O União Brasil na Câmara se reuniu nesta terça-feira e, como o Correio apurou, a bancada estuda levar Bivar ao Conselho de Ética da Casa.

 

"Acho que ele (Bivar) tem que ser convocado no Conselho de Ética do partido e no da Câmara. No partido, porque ele não tem condições de conviver com os colegas em relação a esse comportamento. Na Câmara, porque não podemos ter um deputado agindo de forma leviana, expondo pessoas, causando suspeição sobre o conjunto partidário", argumentou o deputado Danilo Forte (União-CE).

 

Horas antes, em coletiva de imprensa, Bivar disse ter recebido três denúncias contra Rueda envolvendo o uso de um laranja para desvio de verbas do partido.

 

"Repudio qualquer ilação que tenha com relação a esses últimos acontecimentos. Isso é fruto de uma represália em função de denúncias que estamos apresentando hoje (nesta terça-feira) ao Conselho de Ética do partido", enfatizou.

 

Em seguida, o advogado da sigla Raphael Souto afirmou que as denúncias são do prefeito de Belford Roxo (RJ), Waguinho (União-RJ), alegando que Rueda usou o nome do partido para "negociatas diversas no Rio", e outras duas de suspeita de uso irregular do fundo partidário, feitas pela senadora Soraya Thronicke (MS) e pelo suplente de deputado federal Júnior Orosco (SP). Não foi informado o valor dos supostos desvios.

Caiado


O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), reforçou a ofensiva contra Bivar. Ele classificou os incêndios nas casas da família Rueda de "crime político" e um "atentado contra o União Brasil". "Fato inaceitável e que não ficará impune", ressaltou.

 

"O partido fará uma representação junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que o caso seja investigado. Também será pedida a cassação do mandato do deputado federal Luciano Bivar", diz a nota divulgada pela Secretaria de Comunicação do governo goiano.

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