O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, teria deixado claro ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que o governo americano não concorda com os comentários do petista sobre a comparação entre o conflito em Gaza e o Holocausto nazista. O chefe do Executivo brasileiro e o braço direito do presidente Joe Biden se reuniram em Brasília nesta quarta-feira (21/2).

 

Segundo o porta-voz do departamento de Estado americano, Matthew Miller, Blinken expressou a posição dos Estados Unidos enquanto os políticos conversavam de maneira geral sobre o conflito no Oriente Médio. “Foram comentários que nós não concordamos. O secretário teve a chance de discutir os comentários com o presidente Lula no contexto de uma discussão geral sobre o conflito, e deixou claro que não concordamos”, disse.

 

Ainda perguntado sobre outros tópicos de discussão da reunião entre Blinken e Lula, o porta-voz disse que foram tratados problemas que devem ser trabalhados durante a presidência brasileira do G20, além de questões regionais como as tensões entre Venezuela e Guiana.



“Eles discutiram vários problemas, principalmente aqueles que podem ser trabalhados pelo G20, como o combate à pobreza e o combate às mudanças climáticas. Eles conversaram sobre problemas regionais, como o trabalho que o Brasil tem feito para aliviar a tensão entre a Venezuela e a Guiana. Falaram sobre o suporte que o Brasil tem dado à democracia na América do Sul. Também falaram sobre as relações bilaterais entre o Brasil e os Estados Unidos, assim como os conflitos na Ucrânia e entre Israel e o Hamas”, disse.

 

Por outro lado, fontes do Planalto informaram ao Estado de Minas que Blinken não exigiu que Lula faça uma retratação sobre a comparação entre a operação militar promovida por Israel em Gaza e o Holocausto nazista, além de afirmar que respeita a posição soberana do Brasil no conflito diplomático com Israel.

 

A comparação do presidente brasileiro, no domingo (18/2), gerou uma crise diplomática com Tel Aviv, fazendo com que o embaixador do Brasil em Israel fosse repreendido pelo governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que afirmou que o petista ultrapassou uma “linha vermelha” com o comentário.

 

A guerra de Israel com o Hamas, desencadeada no dia 7 de outubro, já vitimou quase 30 mil palestinos, sendo a maioria civis, mulheres e crianças. As Forças de Defesa de Israel (FDI) estimam que 233 soldados morreram desde o início da guerra.

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