Jair Bolsonaro discursa no ato da Avenida Paulista, em São Paulo -  (crédito: Andre Ribeiro/Thenews2/Folhapress)

Jair Bolsonaro discursa no ato da Avenida Paulista, em São Paulo

crédito: Andre Ribeiro/Thenews2/Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Acuado diante de investigações em torno de uma trama golpista, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reuniu milhares de apoiadores neste domingo (25) na avenida Paulista, em São Paulo, e fez um discurso no qual maneirou a conhecida agressividade contra o STF (Supremo Tribunal Federal), disse buscar a pacificação do país e pediu anistia aos presos pelo ataque golpista de 8 de janeiro de 2023. 

O ex-presidente também havia pedido que seus apoiadores não levassem cartaz e faixas de ataques contra adversários, em especial o STF, no que foi atendido durante a manifestação. Também não partiram do público gritos golpistas, como o "eu autorizo", puxado no 7 de Setembro de 2021 em referência a uma eventual ruptura entre os Poderes. 

Essa não foi a primeira vez na qual Bolsonaro deu um passo atrás quando acuado. Relembre outros três momentos recentes:

 

'NENHUMA INTENÇÃO DE AGREDIR' 

Dois dias após atacar o STF com ameaças golpistas no evento do 7 de Setembro, Bolsonaro divulgou uma nota na qual recuava, afirmava que não teve "nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes" e atribuia palavras "contudentes" anteriores ao "calor do momento".

 

"Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar", afirmou. 

Na época, a mudança de tom do presidente após repetidos xingamentos a integrantes da corte desagradou grupos bolsonaristas, foi elogiada pelos presidentes do Senado e da Câmara, mas vista com ceticismo pelos magistrados. 

Horas depois de divulgá-la, Bolsonaro usou sua live semanal para tentar se justificar a apoiadores, dizendo não haver "nada de mais" na nota, e voltou a questionar as urnas eletrônicas e a provocar o ministro do STF e então presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luís Roberto Barroso. 

Bolsonaro havia passado os dois meses anteriores com seguidos ataques ao STF e xingamentos a alguns de seus ministros como estratégia para convocar seus apoiadores para os atos do 7 de Setembro, quando repetiu as agressões e fez uma série de ameaças à corte e a seus integrantes. 

 

'NÃO TEM POR QUE DUVIDAR DO VOTO ELETRÔNICO' 

Ainda em setembro de 2021, quando estava Isolado politicamente e em baixa nas pesquisas sobre a avaliação de seu governo e a corrida eleitoral de 2022, Bolsonaro disse à revista Veja que não existia nenhuma chance de tentar um golpe no país. 

"Daqui pra lá, a chance de um golpe é zero. De lá pra cá, a gente vê que sempre existe essa possibilidade", disse o presidente na entrevista. 

Na entrevista à Veja, ao falar sobre as eleições de 2022, Bolsonaro disse que não irá "melar" a disputa e até elogiou decisões recentes de Barroso, então presidente do TSE. 

"Com as Forças Armadas participando, você não tem por que duvidar do voto eletrônico. As Forças Armadas vão empenhar seu nome, não tem por que duvidar. Eu até elogio o Barroso, no tocante a essa ideia ?desde que as instituições participem de todas as fases do processo", completou. 

 

'NINGUÉM QUE ATACAR A DEMOCRACIA' 

Em meio de 2022, após seguidas ameaças e insinuações golpistas, Bolsonaro reduziu o tom para se referir aos ministros do TSE e às eleições. O recado foi ao ministro Edson Fachin, então presidente do TSE. 

"Eu não sei de onde ele está tirando esse fantasma que as Forças Armadas querem interferir na Justiça Eleitoral", disse Bolsonaro em sua transmissão semanal em redes sociais. 

"Não existe interferência, ninguém quer impor nada, ninguém quer atacar as urnas, atacar a democracia, nada disso. Ninguém está incorrendo em atos antidemocráticos. Pelo amor de Deus! A transparência das eleições, eleições limpas, transparente, é questão de segurança nacional", continuou. 

Um dia antes, Bolsonaro havia voltado a colocar em dúvida o sistema eleitoral e dito que seu governo não aceitaria provocações.