Um pudim de caramelo diante da morte da mãe. É com essa cena que a escritora cearense Cami di Malta abre "Cor de defunto", romance de estreia que recusa o choro fácil e transforma o luto em rotina, cotidiano, quase trabalho. O livro será lançado em Belo Horizonte no próximo sábado (22/8), com um bate-papo da autora com Aline Cântia,  na Livraria do Belas.

A narrativa começa de forma direta: “Quando Mainha morreu, eu fiz um pudim. A morte me deixou com a boca ansiando pelo gosto de caramelo”. O trecho define o tom do livro, que conta a história de Lilá, a maquiadora de defuntos que não consegue superar a perda da mãe.

Leia Mais

Com uma escrita ágil, Cami di Malta acompanha o cotidiano de uma personagem que perdeu o gosto pela vida. A autora usa imagens concretas e uma linguagem oral para aproximar a morte de gestos e objetos banais, sem buscar consolo ou redenção.

O humor é uma das marcas da obra, como no momento em que a protagonista reflete sobre a roupa para enterrar a mãe: “Me pareceu desnecessário enterrar o único tênis bom da casa, compartilhado por nós três, mas achei inadequado deixar que Mainha chegasse de chinela, aonde quer que ela estivesse indo”.

Para Socorro Acioli, o livro apresenta “uma voz original, ágil e de honestidade desconcertante”. Marcelino Freire, que assina a orelha do livro, destaca a força da primeira linha, definindo-a como “matadora”. Ele acrescenta que leu a obra “a todo tempo apavorado”.

Dessa forma, "Cor de defunto" transforma o luto em uma experiência contínua, composta por repetição, trabalho e memória, na qual a morte se torna uma presença diária.

Lançamento em Belo Horizonte

O evento de lançamento em Belo Horizonte será no dia 22 de agosto, sábado, às 15h30, na Livraria do Belas, localizada na Rua Gonçalves Dias, 1581, em Lourdes. A programação inclui um bate-papo entre a autora Cami di Malta e Aline Cântia.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Sobre a autora

Cami di Malta nasceu em Fortaleza (CE), em 1992. É pós-graduada em Escrita Criativa pela Unifor, onde começou a escrever "Cor de defunto". Atualmente, atua como escritora e tradutora, dividindo residência entre Brasil, Malta e Indonésia.

compartilhe