“A possibilidade da invenção”
“É falar sobre a possibilidade de pensarmos os diferentes sertões que existem no Brasil. Eu, como filha de uma sertaneja da Bahia, aprendi muito com a linguagem, me conectei muito a partir das confluências desse livro e penso muito sobre a possibilidade da invenção, mas também de um reconhecimento de linguagem que é pluriversal.”
Calila das Mercês, autora de “Planta oração”
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“Fogo muito antigo”
“Setecentos anos do ‘Grande sertão: veredas’. Não, sete mil anos do ‘Grande sertão: veredas’. Não, 15 mil anos… Ah, ‘Grande sertão: veredas’ vem de muito tempo. É um fogo muito antigo, aceso por esse escritor mineiro extraordinário. Setenta anos que se multiplicam, porque será eterno daqui a 70 anos, 150 anos. Sempre será eterno. Viva Guimarães Rosa, viva essa pedra fundamental da nossa literatura brasileira, da nossa literatura mundial.”
Marcelino Freire, vencedor do Prêmio Jabuti em 2006, na categoria de Melhores Contos, por “Contos negreiros”
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“Filosófico e exuberante”
“É um livro extremamente filosófico, exuberante e que também mostra o quanto a cultura brasileira é complexa e profunda.”
Jeferson Tenório, autor de “O avesso da pele”, vencedor do Prêmio Jabuti em 2021, na categoria de Romance Literário, e de “De onde eles vêm”
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“Sertão dentro da gente”
“‘Grande sertão: veredas’ tem uma importância muito grande na literatura brasileira e um papel fundamental no meu desejo de escrever, no meu desejo de contar, a partir da voz das pessoas do povo, da voz do sertão, o cotidiano e a vida. Trazer aquelas questões mais profundas da humanidade, que o sertão está mesmo dentro da gente.”
Bianca Santana, autora de “Quando me descobri negra” e “Apolinária”
“Engana e desengana o leitor”
“Para mim, algo muito especial é essa miscelânea de um narrador que não tem a verdade sobre tudo, que, às vezes, se engana e desengana o leitor. Gosto muito dessa possibilidade de um narrador que questiona a verdade de si mesmo.”
Geni Nuñez, autora de “Descolonizando afetos: Experimentações sobre outras formas de amar”
“Um livro interminável”
“Quando eu era criança, meu avô morava lá em casa e estava sempre lendo um livrão de capa dura, assim, azul. Sempre o mesmo livro. Eu ficava puxando o braço dele: ‘Vô, e esse livro aí que você nunca termina, o que é isso?’. Aí ele falava: ‘Não, Léo, é porque eu termino e começo de novo; chego ao final e começo de novo’. Durante 30 anos da vida dele, de 1964, quando comprou essa edição, até 1994, quando morreu, meu avô leu mais de 20 vezes o ‘Grande sertão: veredas’. Quando ele morreu, em 1994, a minha avó falou: ‘Vou enterrar o livro com seu avô’. Eu falei: ‘Não, eu quero esse livro para mim’. Resultado: roubei o livro, escondi debaixo de uma gaveta, joguei uns panos por cima, e ele foi enterrado sem o livro. Eu li o livro inteiro uma vez só, mas, com a minha avó, a gente lia trechinhos para lembrar do vô, ver as marcações dele e tal. Então, para mim, é muito marcante, porque ainda criança saquei que é um livro interminável, um bom livro, ao qual você volta várias vezes e vai percebendo coisas novas.”
Leo Cunha, autor de “Um dia, um rio” e de “Pela estrada afora”, vencedor do Prêmio Jabuti em 1994, na categoria Autor Revelação de Literatura Infantil
“Faz parte da nossa vida”
“‘Grande sertão: veredas’ entrou na minha vida quando eu era muito novo. Minha mãe, a escritora e jornalista Miriam Leitão, contava pra gente as histórias do livro, que eu só fui ler já adolescente e fiquei completamente apaixonado. Quando minha mãe foi eleita para a Academia Brasileira de Letras, ela me convidou para estar ao lado dela. Antes, eu consegui, num leilão, a quarta edição do livro. Na foto da posse na Academia, ela está com essa edição de ‘Grande sertão’. Aquelas histórias fazem parte da nossa vida de maneira muito profunda.”
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Matheus Leitão, autor de “Em nome dos pais”
